O BARNABÉ

Pensamentos desordenados sobre a estupidez humana (inclusive a do próprio autor), o Brasil, o mundo e o sentido da vida. Todos os comentários são bem-vindos, sobretudo quando o escrevente assumir suas posições sem falsa neutralidade, afirmando claramente que prefere manteiga a margarina e brindando-nos com as razões que o levam a tal ordem de preferências.

30.11.04

chavões vermelhos

Inspirado no Homem Chavão, garimpei alguns lugares-comuns do discurso esquerdizóide:

"o governo FHC submeteu-se à nova ordem econômica mundial imposta pelo neoliberalismo nos anos 1990"

"o problema do Brasil (assim mesmo, bem reducionista e pretensiosamente) é que as elites sempre estiveram de costas para as massas, negando a estas o direito à cidadania."

"o problema do Brasil é que o brasileiro é um povo muito pacífico e conformado, não se revolta contra a exploração da elite (com a regência invertida)"

"enquanto o povo ganha salário mínimo, o banco [tal] teve um lucro de [tantos] por cento no ano passado!"

"com a privatização das telecomunicações, a conta de telefone aumentou e nós deixamos de ser acionistas da empresa (não raro, a cavalgadura que pronuncia a frase sequer tinha telefone antes da privatização...) "

"a esquerda ainda está se reconstruindo após o colapso do socialismo histórico"

"as criancinhas ficam sem merenda no interior do Nordeste para que o governo possa pagar os juros escorchantes da dívida externa"

"é preciso denunciar a captura dos meios de comunicação pelo pensamento único do Consenso de Washington"

"o FMI e os Estados Unidos não deixam o governo reduzir os juros para que o Brasil mantenha-se eternamente subdesenvolvido, pois eles sabem que 'se deixar', o Brasil vira a nova potência mundial, pois temos recursos naturais em abundância, etc."

enigmas brasileiros



Por quê, nas universidades brasileiras, estuda-se em profusão um pseudo-economista como Celso Furtado (em verdade um historiador metido a literato) e deixa-se de lado economistas brilhantes como Gary Becker? Se o aluno não apreende a baboseira historiagráfico-nacionalista de Furtado & Cia. periga reprovar e não concluir a graduação, mas acaso desconheça os princípios da microeconomia passará incólume pelos lentes esquerdizóides que abundam na academia brasileira. A obra de Becker deveria constituir conteúdo obrigatório no currículo de qualquer curso de economia que se pretenda sério.

viva o gordo!

Inacreditável como o mito da democracia ateniense ainda fascina boa parte da burritsia nacional. Ontem Jô Soares entrevistou Tarso Genro e ambos manifestaram seu deslumbramento com a idéia do "orçamento participativo" (implementada por Tarso quando foi prefeito de Porto Alegre). O "orçamento participativo" é, na opinião deles, uma necessária tentativa de se restabelecer a "verdadeira" (sic) democracia, hoje enfraquecida pelas instâncias burocráticas que separam o cidadão do espaço público.

Nenhum dos dois se perguntou como pode ser democracia um sistema onde a "participação" (sic) do povo é mediada por representantes não-eleitos. Sim, pois é o que se dá com o tal "orçamento participativo", do qual participam apenas alguns militantes desocupados que, sem a necessária legitimação eleitoral, travestem-se de "povo" e em nome deste tomam decisões para as quais não receberam a chancela de seus (supostamente) representados.

Os defensores do modelo contra-argumentam que o sistema é aberto à participação de todos e que portanto qualquer um que se sinta mal representado (ou sem representação at all) pode subir ao púlpito e representar-se a si mesmo. Isso seria lindo se vivêssemos na Atenas do período clássico, com poucos cidadãos (i.e., indivíduos aptos a participar do jogo político, que à época eram apenas os homens livres nascidos em Atenas e filhos de pai e mãe atenienses) e com abundante trabalho escravo a liberar esses cidadãos das atividades comerciais, permitindo que dedicassem seu tempo às questões públicas. Imagine-se, porém, se os 1,4 milhão de cidadãos que compõem a capital gaúcha resolvessem comparecer à saleta de reuniões onde acontece o tal
"orçamento participativo" para fazer-se representar diretamente. Seria viável? Óbvio que não. Então, como não dá pra botar todo mundo numa sala, inventou-se há alguns séculos a democracia indireta, representativa, na qual se delega a alguns cidadãos a faculdade de decidir em nome do povo. É um sistema ruim, cheio de falhas, melhor apenas do que todos os demais até agora tentados, mas pelo menos neste sistema os decisores contam com alguma chancela de seus representados, por meio do voto. Já nas utopias participativas o distinto público é apenas isso, o público, uma multidão de espectadores, privada da real representação de seus interesses.

29.11.04

aprende aí, Beckham



"Eu sou o precursor do metrossexualismo brasileiro. A primeira plástica, a segunda plástica, o cabelo, os brilhos. Estou sempre querendo descobrir um creminho."

Cauby Peixoto, cantor

26.11.04

Bom Velhinho leva chumbo!

"26/11/2004 - 13h36m
Papai Noel assalta banco e morre em tiroteio

Reuters

BERLIM - Um assalto a banco cometido por dois homens vestidos de Papai Noel terminou em tiroteio e morte, na Alemanha. Um assaltante morreu e outro ficou ferido na troca de tiros com a polícia, informaram autoridades.

Os assaltantes fantasiados levaram milhares de euros de um banco na cidade de Ratingen, no Oeste do país, na noite de quinta-feira, mas depararam com dois policiais à paisana durante a fuga.
- Disseram-nos que dois papais-noéis estavam roubando o banco e que eles tinham conseguiram
tirar dezenas de milhares de euros - disse um porta-voz da polícia. - Os assaltantes começaram a atirar quando os oficiais se identificaram, o que fez os policiais revidarem.

O Papai Noel que sobreviveu conseguiu escapar."

ode às muié marvada

Se vc acha que a vida de carcereiro é para doidos sem apego à vida, talvez vc reconsidere isto aqui após ver isso:



e isso:



e mais isso:

ser barnabé é...



...aturar esses desocupados que volta e meia se reúnem na Esplanada para protestar contra "tudo isso que está aí" (como ontem).

25.11.04

crime e castigo

O brasiliense é um povo folgado. Mais folgado do que o brasiliense, talvez só o carioca. Eu sei, são generalizações, não é correto tomar o todo pela parte e atribuir à coletividade o comportamento de alguns. Mas fato é que uma proporção maior de brasilienses do que, digamos, de belorizontinos, é folgada (segundo estatísticas produzidas segundo os mais rigorosos critérios popperianos de validação do conhecimento científico, como a discussão na mesa de bar e a opinião das mães).

Todo santo dia, invariavelmente, deparo-me com o veículo de algum brasiliense folgado obstruindo a saída do meu veículo, no estacionamento aqui da repartição. E todo santo dia, invariavelmente, tenho que empurrar o carro do folgado - não raro sob forte chuva - para poder ir pra casa.

Ontem, porém, resolvi que faria diferente.

Parte do estacionamento aqui da repartição é levemente em declive e ontem, para azar de um brasiliense folgado, eu estava estacionado perpendicularmente à inclinação e ele, paralelamente, atrás do meu, estando seu veículo frenado apenas por uma pedra sob um dos pneus dianteiros. Ambos no alto do declive. Não pensei duas vezes: dei um chutinho na pedra e assisti, tomado por um prazer quase sexual, aquele Uno verde-oliva rolar ladeira abaixo e espatifar-se, ao final, contra a mureta que separa a rua do estacionamento. Pelo barulho, horrendo, creio que o prejuízo não terá sido pouco.

Sim, eu poderia ter retirado a pedra apenas pelos instantes necessários à desobstrução do meu carro, sem haver provocado a destruição do patrimônio alheio. Mas não quis. De forma consciente e deliberada, cedi à mesquinhez humana e, por uma mescla de vingança, birra e irritação, decidi que, na ausência de um Estado que cumpra seu papel punitivo, faria eu mesmo justiça, à minha maneira. E foi muito bom, devo dizer.

Acredito que o proprietário daquele Uno vai pensar duas ou três vezes antes de estacionar irregularmente de novo. Pode até ser que volte a delinqüir, mas certamente não se esquecerá do episódio de ontem e não ficará tranqüilo até retornar ao estacionamento e conferir se seu carro ainda está inteiro ou se outro cidadão enfurecido resolveu também fazer justiça por si próprio. Em realidade, prestei um serviço de utilidade publica, educando (ou ao menos tentando educar) um delinqüente - e sem receber qualquer subvenção estatal para tanto!

É por essas e outras que meu filme preferido continua sendo "Um dia de fúria".

24.11.04

Garotinho, veja isto!

Quem precisa de um Rudolph Giuliani? A solução para a violência urbana está na Índia!

Lula, veja isto!

Discursando no "Fórum Internacional Brasil 2005 - Oportunidades e Desafios", o ex-premiê espanhol Felipe González afirmou ter aprendido, em sua gestão, que não é o Estado quem "gera empregos", mas o setor privado, cabendo ao poder público apenas oferecer as condições necessárias para que isso aconteça. Bem que podiam arranjar uma audiência entre ele e nosso presidente - acaso consigo assimilar essa única lição, Lula terá condições de fazer um governo muito melhor do que muitos políticos com diploma que passaram décadas estudando as lições erradas.

"not everything is under the water"

Há vozes lúcidas nesta Esplanada: "Os fazendeiros reagem defendendo seu patrimônio, conforme autoriza e prega a Constituição", afirmou o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Neste país doente, contudo, a idéia de que a propriedade privada é o alicerce do desenvolvimento não encontra muito abrigo, sendo tudo perdoável à luz "do social".

agrobusiness: the only way

"Os setores que se auto-intitulam agrobusiness são aqueles que balearam os acampados em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul", afirmou o presidente do Incra, Rolf Hackbart, tomando a parte pelo todo e formando ao lado do secretário de Direitos Humanos, o qual também pretende substituir as funções policial e judiciária, determinando desde já quem fez o quê, onde e porquê.

Enquanto isso, "os setores que se auto-intitulam agrobusiness" continuam salvando o país das crises com suas safras recordes e com as divisas que trazem ao país (apesar de todo nosso preconceito contra tudo que nos remeta ao campo - preconceito esse incutido por nossos professores de história do ensino fundamental e médio, os quais teimam em tentar nos convencer de que "campo = atraso" e "indústria = desenvolvimento").

uma coisa é uma coisa...

Quando um fazendeiro tem sua propriadade invadida e a vida de seus familiares ameaçada pelos brucutus do MST (que é a maior organização criminosa deste país, tanto mais perigosa por contar com a chancela do Estado, da mídia e da burritsia brasileira) a coisa passa como um evento quase natural ou mesmo invisível, dada a crença (consciente ou não) dos brasileiros na tese cretina de que a violência se justifica por sua "origem social" ("são pobres, coitadinhos, deixem-nos roubar").

Mas quando um desgraçado do MST leva bala a coisa é um escândalo: o secretário de Direitos Humanos se pronuncia (inclusive declarando a desnecessidade do devido processo legal e apontando, de antemão, quem seriam os culpados) e nossa mídia esquerdizóide se compadece das vítimas tratando-as como mártires d'A Causa.

sexo e taxa de câmbio

Enquanto os bandidões se enfrentam às claras nos morros cariocas, a polícia ocupa-se em prender homens e mulheres adultos que, por sua livre vontade, trocam sexo (ao algo do tipo) por dinheiro, sem prejuízo de outrem - e que ainda contribuem para a entrada de divisas no país.

22.11.04

Nova Idade Média

Crime é crime, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Sorte dos que estão dentro castelo, protegidos pelo landlord, e azar dos que camponeses lá fora, à mercê das hostes bárbaras.

o homem é da paz!

O Itamaraty pode até contribuir para o atraso do país com suas posições protecionistas em política comercial, mas ao menos todas aquelas aulas de fru-fru diplomático que os caras têm no Instituto Rio Branco serviriam para impedir que uma tal cena acontecesse por aqui:

"Bush aparta briga de agentes no Chile

SANTIAGO

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teve que assumir o papel de apaziguador dos ânimos de seus agentes de segurança, sábado, durante um dos eventos do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), no Chile. Impedidos pela segurança chilena de entrar num centro cultural do bairro de Mapocho, onde acontecia o encontro de chefes de Estado, agentes do presidente americano começaram a empurrar e golpear guardas chilenos.

Ao perceber a confusão, enquanto posava para fotos com o presidente do Chile, Ricardo Lagos, Bush correu em direção ao chefe de seus agentes e deu ordem para que seus homens recuassem."


a emenda e o soneto

Do site www.sonetos.com.br:

"A expressão "pior a emenda que o soneto" surgiu por causa do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage. Ele era tão respeitado que, um belo dia, uma pessoa interessada em ser escritor procurou-o com um soneto. Pediu ao poeta que o lesse com carinho e anotasse os erros. Bocage concordou. No dia seguinte, encontraram-se para conversar. Para surpresa do poeta aprendiz, Bocage não havia anotado nada. Tinha achado o texto tão ruim que nem valia a pena
corrigir, porque a emenda seria pior do que o soneto. Se o conselho fez com que o escritor desistisse da carreira, a história não registra. Mas a frase se tornou uma espécie de ditado popular. Se alguma coisa que fazemos não sai exatamente como deveria, nem sempre dar um jeitinho resolve. A emenda pode sair pior do que o soneto. (Sérgio Nogueira)"

BNDES para quê?

Ronaldo França, na Veja desta semana, afirma que o BNDES é importante pq, com o governo sugando 80% de todo o crédito disponível na praça, é a única instituição que oferece crédito barato aos agentes privados. É uma estranha lógica: quer dizer então que o governo pega 80% do crédito oferecido no mercado e, para aliviar um pouquinho o aperto dos empresários, "devolve" uma parte desse montante na forma de empréstimos camaradas do BNDES? Não seria mais sensato o governo simplesmente não captar essa diferença entre o que ele toma emprestado e o que efetivamente utiliza, deixando esse crédito ser ofertado diretamente dos bancos privados para os empresários e eliminando assim os custos de transação do "intermediário" BNDES? Qual é a justificativa?

Bom, pode-se argumentar que os juros cobrados pelos bancos privados seriam maiores se assim fosse. Mas se esta é a explicação para a existência do BNDES, então o governo não está apenas tornando o mercado de crédito (ou o que resta dele após as necessidades de financiamento do setor público) ineficiente, mas está criando novos créditos, transformando parte dos impostos que pagamos em empréstimos subtaxados. Alguém poderia dizer que o governo estaria, aí, criando um "mercado" de crédito, mas o conceito de mercado implica transações voluntárias entre os agentes envolvidos e, no caso em questão, o crédito que ofertamos é compulsório (imposto, no sentido mais literal do termo). Estamos, isto sim, sendo forçados a entregar um bem (parte de nossas remunerações - ou capital, quando esse dinheiro chega ao BNDES) por valores abaixo dos praticados no mercado. É uma tremenda distorção e, sendo válida a hipótese de que isso acontece pq o governo quer compensar um pouquinho os empresários por consumir quase todo o crédito deles, é caso típico de emenda pior do que o soneto.

Um contra-argumento quase automático seria o fato de que a maior parte dos recursos do BNDES não provém do Tesouro, mas do recebimento de empréstimos anterioremente concedidos. É um disparate: idiotices pretéritas não justificam idiotices presentes ou futuras. Feita a idiotice de se emprestar a taxas subsidiadas no passado, poder-se-ia agora direcionar os pagamentos recebidos a outras atividades que não novos empréstimos subsidiados - a educação e a saúde agradeceriam. Mas não: preferem fazer transferência regressiva de renda, forçando o operário de chão-de-fábrica a subsidiar o crédito dos grandes empresários. E acusam o capitalismo de não permitir a incorporação das massas e de perpetuar a exclusão social...

o problema são os que ficam...

Coincidentemente, pouco após a demissão de Carlos Lessa, empacotou (literalmente) Celso Furtado, prócere do nacional-desenvolvimentismo (terá sido de desgosto?). Difícil saber o que lamentar mais: a perda de um importante intelectual brasileiro (embora desmentido pela história, a qual teima em nos mostrar a impossibilidade de se alcançar o desenvolvimento pelas vias coletivistas) ou o chororô saudosista dos que ficam.

19.11.04

"faça o que eu mando, não faça o que eu faço"

Agora eu posso continuar usando minhas cópias piratas do Windows e do Office sem problemas de consciência: http://www.pcwelt.de/know-how/sicherheit/104830/index1.html.

18.11.04

dia de festa no MDIC

Empacotou, finalmente - duvidoso, porém, que tenha se tratado de eutanásia, sendo mais provável que lhe tenham desligado os aparelhos à sua revelia. Seu (ex-)chefe deve estar satisfeito, embora aparentemente não tenha podido escolher o substituto. Ficam algumas dúvidas:

(i) o indivíduo deixar de ser ministro para virar presidente de uma autarquia subordinada a outro ministério não é um reabaixamento?
(ii) se é, então qual teria sido a razão que levou o Planalto a infligir esse castigo no indivíduo em questão?
(iii) quem assume o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão?
(iv) sendo ex-ministro e um dos "bambambans" do governo de plantão, o novo presidente do BNDES poderá ser demitido pelo seu superior imediato quando este considerar conveniente?

"18/11/2004 - 13h37
Planalto confirma saída de Lessa do BNDES
da Folha Online

O Palácio do Planalto anunciou hoje a saída de Carlos Lessa da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), confirmando os rumores dos últimos dias."


cai, cai, balão

Tá parecendo a novela que foi o empacotamento do Arafat: a imprensa vai, mata o homem, depois ele ressuscita, o povo diz que não dura muito, etc. No caso de Lessa, contudo, talvez o defunto precise ser enterrado à força, à sua revelia e sob protestos dos habituais assinadores de abaixo-assinado, como Oscar Niemeyer, que junto com Lúcio Costa deveria ser condenado a viver o resto de seus dias em Brasília, sem direito a carro, e João Pedro Stédile, líder da maior organização criminosa do país e candidato a novo "Lampião" brasileiro.
'Há muita gente que gosta mim', diz Lessa
O Estado de S. Paulo - 18/11/2004
Luciana Nunes Leal


17.11.04

a imprensa objetiva e o boitatá

Nós, brasileiros, professamos uma crença tão primeva quanto inabalável na idéia de que o jornalismo é algo que pode e deve ser exercido com "objetividade", entendida pelos defensores da tese como a não-manifestação de opiniões, limitando-se os jornalistas ao mero relato factual ou, quando muito, a análises "objetivas" (?!) desses fatos. Daí inúmeros estudos, como este, onde se busca aferir se a mídia brasileira foi "isenta", "neutra", "imparcial" ou "objetiva" no acompanhamento deste ou daquele pleito eleitoral. Quem comunga dessa tese provavelmente também acredita que as mães gostam de seus diferentes filhos com igual intensidade, sem nem uma pontinhazinha de preferência por um ou outro - é a mesma lenga-lenga.

Antes da questão normativa sobre se a imprensa deveria ou não ser "objetiva", cumpre questionarmos se ela pode, de fato, sê-lo. Parece-me óbvio que não. Ainda que um hipotético jornal se limitasse à mera descrição e narração de fatos, ao menos dois elementos subjetivos já estariam aí presentes. O primeiro seria a própria escolha de quais fatos seriam relatados. Como não dá pra contar tudo, alguém teria que selecionar o que seria relatado e o que seria deixado de fora. E essa seleção, por si própria, já impossibilita uma imprensa "neutra", pois o jornalista poderia, por exemplo, informar apenas as falcatruas pregressas do candidato A e omitir as do candidato B. Isso no nível mais deliberadamente canhestro, pois mesmo inconscientemente o jornalista estará informado (ou enviesado, se preferirem) por toda a sua vida pretérita - suas preferências políticas, filosóficas, culinárias, sexuais, os modelos paterno e materno que teve na infância, as mulheres com quem já esteve envolvido e tudo, enfim, que tenha contribuído para que ele fosse o que é. Ainda que o jornalista se debata e procure desesperadamente se livrar de seus condicionamentos psicológicos e ideológicos, jamais terá sucesso em tal empreitada e provavelmente terminará seus dias frustrado e alcóolatra - ou, pior ainda, acreditando que conseguiu.

Em segundo lugar, ainda que fosse possível uma seleção "neutra" dos fatos, seu relato seria necessariamente enviesado, pois como já disse alguém, "não há fatos, apenas versões". Imagine dois jornalistas que, casualmente, estão passando pelo mesmo local onde, naquele instante, acontece um acidente de trânsito. Um dos dois jornalistas, mais sensível ao sofrimento humano, descreve a notícia sob o seguinte título: "acidente de trânsito na rua tal mata mulher e dois filhos" e descreve, no texto, o bom caráter da moça, o desconsolo do marido enviuvado, etc. O outro, mais preocupado com questões urbanas, descreve o mesmo evento com o título: "acidente de trânsito na rua tal gera 120 km de congestionamento" e desfia, em seguida, algumas estatísticas sobre acidentes de trânsito nos últimos anos, principais causas e por aí afora. Ambos viram a mesma cena, mas a enxergaram de maneiras diferentes, cada um segundo seus próprios vieses. Logo, são impossíveis tanto a seleção "objetiva" de fatos quanto seu relato também "objetivo".

Carecem de sentido, portanto, todas as manifestações "pró-neutralidade" de eminentes integrantes da burritsia nacional. Se algo não é possível, então não cabe passar ao plano normativo e discutir se seria desejável. E sendo impossível a neutralidade, é preferível um jornal que assuma claramente sua preferência por manteiga a margarina a outro travestido de falsa indiferença: se os desgraçados vão nos passar informações enviesadas, que ao menos explicitem, da forma mais clara e transparente possível, quais são os vieses por trás do texto, apesar das limitações legais (Lei nº 9.504/97, Art. 45).

parece coisa de alemão, mas foi no Brasil

Esse nunca mais esquece o material em casa...

"17/11/2004 - 00h09
De castigo, garoto passa mais de 4 horas atrás de porta em escola

TIAGO ORNAGHI - da Agência Folha

Um garoto de sete anos foi colocado de castigo pela professora atrás da porta da sala de aula e esquecido lá, na escola municipal de educação fundamental Saline Abdo, na periferia de
Nova Odessa (126 km a noroeste de São Paulo), na sexta-feira. A escola foi fechada, e menino passou mais de quatro horas no mesmo lugar até ser encontrado pela mãe, às 19h20."


12.11.04

o brasileiro, esse irresponsável

"12/11/2004 - 11h32
Dirceu chega atrasado e quase perde cortejo de Arafat
Carolina Glycerio - enviada especial ao Cairo

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, perdeu o velório de Iasser
Arafat e quase não chegou a tempo para o cortejo fúnebre do líder
palestino."


auto-plágio

Gostaria de conhecer uma única contribuição dos centro acadêmicos "politizados" (ou idiotizados, pra ser mais exato) ao desenvolvimento do país. Gritam pela manutenção da universidade "pública e gratuita" sem se dar conta de que não existe almoço grátis e que alguém está pagando a conta - e, no caso, é toda a sociedade (incluindo os mais pobres e miseráveis, que pagam o ICMS embutido em cada quilo de arroz que levam à mesa) custeando o estudo dos "filhos da elite" (parafraseando reversamente a senadora Heloísa Helena, a quem tanto apraz relembrar os "filhos da pobreza"). São parasitas esbravejando pela manutenção de seus privilégios e, dando-se conta ou não (prefiro acreditar que não, pois antes a burrice do que a hipocrisia), contribuem para a manutenção do atual estado de coisas. A nenhum desses representantes do "movimento estudantil" ocorre que, se pagassem pelos seus estudos, parte dos recursos poderia reverter àqueles que nada têm e que realmente precisam de gratuidade (e inclusive de bolsas-auxílio) para poder estudar. Isso é inclusão social, é a verdadeira revolução, a extensão da cidadania, dos laços de solidariedade que unem um povo. Ao contrário, os representantes do "movimento estudantil" parecem viver no completo autismo, presos em suas fantasias marxistas (estou sendo condescendente e admitindo que esse pessoal realmente leia Marx) e em seus delírios conspiratórios, enxergando tentativas de "privatização" do ensino público em cada esquina, quixotescamente. Muitos são doentes, sentem um prazer masoquista ao apanhar da polícia para depois exibir as marcas do "autoritarismo" e posar de mártires da "causa estudantil e progressista". São, no fundo, os verdadeiros reacionários e conservadores. Se isso é ser politizado, melhor então que os CA's se dediquem à organização de bacanais e festividades afins, cujo impacto social-transformador certamente é bem maior do que organizar passeatas vazias e vestir camisetas com chavões de três décadas atrás.

Em http://www.pandemonio.org/forum/index.php?showtopic=1422&st=0&#

entre a orgia e a revolução

Finalmente surgem algumas vozes sensatas dentro do "movimento estudantil" (se é que tal coisa existe): a chapa "A Escória", recém-eleita para a direção do centro acadêmico da faculdade de Direito da USP (a São Francisco), promete orgias e álcool, que deveriam ser os objetivos de todo centro acadêmico digno desse nome. Pena que se trate de um caso isolado, sendo o "movimento estudantil" ainda dominado por um bando de imbecis frustrados por não viverem em 1968.

"Chapa 'A Escória' ganha eleição na Faculdade de Direito da USP
MAYRA STACHUK
da Folha de S. Paulo

O que diriam políticos como Ulysses Guimarães, Jânio Quadros e Júlio Prestes ao verem um posto já ocupado por eles ser conquistado por uma turma cujo lema é "balada, bebida e putaria"? Pois esse grupo, A Escória, tomará posse do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, em janeiro de 2005. O traje, ressaltam, será bermuda e camiseta. Nada de terno e gravata como acontece desde 1903."

novas vantagens comparativas

Prova de que as vantagens comparativas são dinâmicas e decorrem não apenas de espírito empreendedor mas também da falência do Estado.

"O Brasil já é o maior fabricante mundial de carros blindados.

Nossa violência urbana capacitou os fabricantes a vender segurança para
locais onde também se negocia proteção. Países como o Iraque, a Colômbia e
várias nações africanas compram, do Brasil, desde matéria-prima até mão-de-obra
especializada."

"desemprego aumenta consumo de bens supérfluos!"

Falta ao pessoal da Folha aprender com Charles Dana (1819-1879), do New York Daily Tribune, que "notícia não é quando um cachorro morde um homem, mas quando um homem morde um cachorro":

"Demissão faz família baixar padrão de vida
Ana Navarro, 31, perdeu o emprego em 2003. Formada em direito e comunicação social, ela deixou o mercado formal de trabalho no ano passado, quando a empresa em que trabalhava teve que cortar boa parte do pessoal e suspender novos projetos. [...] A família teve que
adaptar-se, mudando o horário da escola da filha e reduzindo gastos com lazer. [...]"

É por isso que eu prefiro o Estado de São Paulo.

11.11.04

Weber e a berinjela

No restaurante "por quilo" aqui da repartição o conteúdo de cada bandeja é identificado por um tosco pedaço de papelão escrito com hidrocor verde em idioma muitas vezes incompreensível e caligrafia idem. Hoje os caras se superaram: havia "Berinjela em Panada" e "Ovos Cosidos". Prova de que a reforma do Estado deve começar pela cozinha.

indelével flor do Lácio... (2)

A propósito do post em epígrafe - sobre a luta da resistência lusófona contra a "invasão" anglófona -, achei algo genial num dos artigos do Liberal Libertário Libertino:

"Os idiomas não guerreiam: eles se amam e têm filhos."

estupra, mas não mata

Lá, pelo menos, eles fazem um preço bacana: R$ 1,79, 1,80... Aqui na Barnabelândia os caras adulteram e ainda nos cobram R$ 2,23!

"Teste: 60% adulteram a gasolina
O Estado de S. Paulo - 11/11/204

Levantamento feito em 10% dos postos da Grande São Paulo revela o alto
índice de fraude

A situação do mercado de combustíveis de São Paulo é muito pior do que se
imaginava. Levantamento feito em 10% dos postos da Grande São Paulo pelo
Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Estado, com a Secretaria da
Fazenda, mostrou que 60,9% vende gasolina adulterada.A fraude ocorre por mistura
de álcool - que em alguns casos supera 70% - e de solventes ao combustível. Dos
238 postos analisados, em 153 havia adulteração. A mistura, além de provocar
danos nos automóveis, corrói também os cofres do Estado. A Secretaria da Fazenda
estima perdas de R$ 500 milhões por ano. No País, pode chegar a R$ 5
bilhões."

Top 10 reasons to love America

"Top 10 Reasons that Thinking Americans Love Their Country

By Dan Flynn
FrontPageMagazine.com October 28, 2002

Despite the intellectual pretensions of those who practice it, anti-Americanism is reflexive and mindless. Patriotism, despite its bad reputation amongst the intelligentsia, is a rational sentiment for an American to hold. This is the thesis I prove in my new book, Why the Left Hates America.

No one is obligated to love their country. Yet Americans do-overwhelmingly. Why are Americans, despite the national self-hatred expressed by so many elites, still patriotic? Because America is a force for good in the world as no country has ever been.

Here are ten good reasons why thinking Americans should love their country:

10. Entertainment
The movies the world watches, the television shows they tune into, and the music they listen to are, for the most part, produced in the United States. For instance, the U.S. exports more than 25 times the number of movies and television shows than it consumes from abroad, a fact that causes Ben Wattenberg to observe quite correctly that America is "the most culturally potent nation in the world." Even the virulent America-hater Saddam Hussein reportedly spends a good portion of his time watching American-made movies such as The Godfather and Enemy of the State.

9. Immigration
During the hundred years ending in the 1920s, a majority of the world's immigrants came to one lone country: the United States. Today, the U.S. takes in more immigrants than at any point in its history. Yet, the Left portrays America as a bastion of xenophobia and bigotry. Alexander Hamilton (the first Secretary of the Treasury), John Jacob Astor (America's first multimillionaire), Alexander Graham Bell (invented the telephone), Louis B. Mayer (Hollywood pioneer), Selman Waksman (cured tuberculosis), and Ralph Baer (invented the video game) are among the immigrants to America whose lives belie the Left's premise. Just as those who complain about "oppression" in the U.S. would never entertain the idea of living anywhere else, the people around the world we allegedly oppress flock to come here. This contradiction between leftist theory and real-world practice illustrates just how delusional the central tenets of leftist thought really are.

8. Technology
Nothing disproves the Leftist mantra that "all cultures are equal" more than technology does. Americans have given the world motion pictures, the telephone, the television, the computer, the Internet, the airplane, the VCR, and a host of other machines and devices that have vastly improved the quality of life on the planet. Ironically, the terrorists who hate the U.S. give America a tacit endorsement every time they turn on a light, escape the heat through air conditioning, monitor their exploits on television or the internet, or communicate via telephone.

7. Creating
WealthAmerica is the sun around which the world economy revolves. The typical creator of wealth in the world is an American. Foreigners benefit from buying better products from American companies and working better jobs manufacturing such products. Take America's $9 trillion dollar economy out of the picture, and the economic well being of the rest of the world nose-dives.

6. Generosity
With great wealth comes great generosity. In 2000, Americans gave more than $200 billion in charity, dwarfing the amount donated elsewhere. Since World War II, the U.S. government has given well in excess of $500 billion (not adjusted for inflation) in foreign aid. Last year, our government distributed more than $20 billion to 130 countries. While American taxpayers have a right to gripe, what are we to make of foreign beneficiaries who return our favor by burning U.S. flags and chanting "death to America"?

5. Human
AchievementAmericans have stretched the bounds of the possible. The first transatlantic flight, putting a man on the moon, breaking the speed of sound, constructing the Hoover Dam, and building the Panama Canal serve as testimony to American courage and ingenuity. It wasn't Danes or Bolivians or Iranians or Koreans who achieved these feats. It was Americans. This is significant.

4. Enlightened
PowerThe Soviet Empire ruled over Eastern Europe. The Ottoman Empire claimed dominion over vast stretches of the Islamic world. The Empire of the Sun sought dominion over the Orient. The American Empire rules...only Americans. America is an historical curiosity. It is the most powerful country in the world, yet it eschews imperialism. Instead, it has used its military might to liberate. Nazi Germany, North Korea, Soviet Russia, Hussein's Iraq, and Communist Vietnam are among the nefarious states we sought to prevent from increasing their totalitarian control over others. The world is a better place because America, and not some other country, is the sole superpower.

3. Medicine
Will Nigerian doctors make the blind see? Will Cambodians cure AIDS? Will Pakistanis eradicate cancer? The answer is probably not. Why? The reason is that non-Westerners have had no discernable impact on modern medicine. This year, like 45 of the last 60, an American won a share of the Nobel Prize in the field of medicine. Americans cured polio and tuberculosis, developed vaccines for hepatitis B and yellow fever, pioneered modern chemotherapy, and produced the CAT scan and MRI. What's there to hate about that?

2. Democracy
Leftists harp that American democracy is tainted because not everyone possessed the right to vote at the Founding. Denial of the vote in the 18th century, however, was universal. What made America unique was not that some people could not vote, but that anybody could. More than 215 years after the Constitutional Convention, most people on the planet still do not have a right to vote. Every Arab country, more than three-fourths of African nations, and many of the most populous nations in the Orient still deny their citizens the right to choose their own leaders. Despite the continued rejection by many foreign leaders, the ideals of the American Founding became contagious. Our example served to topple regimes far from our shores. Pro-democracy activists don't quote the founding documents of Saudi Arabia or appropriate the cultural symbols of China. They cite passages from the Declaration of Independence and hoist replicas of the Statue of Liberty.

1. Freedom
America has shined as a beacon of freedom in an unfree world for more than two centuries. To this day, for instance, most people living outside our borders reside in countries where the private practice of broadcast journalism is illegal and where the state is the dominant banker. Americans can say anything they want, worship any god they choose, and associate with any motley crew around. Our legacy is not slave chains, Wounded Knee, and the murder of James Byrd, but American GIs liberating a Nazi death camp, an immigrant's first glance of lady liberty's torch, and Ronald Reagan exhorting the Soviet's to tear down the Berlin Wall. If nothing else, America means freedom.

What country in the history of the world boasts such an impressive record of bettering the lot of all of humanity? The answer is no country. "Americans need to face the truth about themselves," Jeane Kirkpatrick once remarked, "no matter how pleasant it is."

Daniel J. Flynn is the author of Why the Left Hates America: Exposing the Lies That Have Obscured Our Nation’s Greatness."

Farenheint 9/11

Aluguei também, finalmente, Farenheint 9/11 (não quis ir assistir no cinema para não ser obrigado a aturar aquela escória nacionalóide-amebóide que usualmente comparece em massa a qualquer baboseira anti-americana). O filme é o que pretende ser: um panfleto político raso e divertido. Bons antídotos estão em http://www.olavodecarvalho.org/textos/1a_leitura_2004_ago.htm e http://fahrenheit_fact.blogspot.com/. Eis abaixo um excerto do primeiro link, acerca da imbecil glorificação da mídia brasileira em cima do dito filme:
"O leitor brasileiro, dependente de uma mídia estacionada na autoglorificação
esquerdista dos anos 60, não acompanhou nada disso. Muito menos tem alguma
informação, por mínima que seja, sobre a contrapartida necessária desse estado
de coisas, a ascensão dos conservadores, cuja superioridade intelectual sobre
seus concorrentes esquerdistas é hoje, sem exagero, monstruosa, e só velada
temporariamente pelo domínio residual e moribundo que a esquerda ainda exerce na
mídia. Não direi mais sobre isto, porque é uma delícia ver a intelectualidade
local apostar tudo no argumentum ad ignorantiam , usando seu próprio
desconhecimento de uma coisa como prova de que a coisa inexiste e de que eu é
que a estou inventando. Um dia voltarei ao assunto, e vocês verão como a
principal ocupação dessa casta orgulhosa e pedante é ocultar de si própria – e
de vocês – o que se passa no mundo real. Não espanta que ela goste tanto de
Michael Moore."

só pra ser chato

Ontem aluguei Adeus, Lênin, que é uma comédia alemã (!) sobre um rapaz que, temendo pela saúde da mãe (a qual, apaixonadamente socialista e recém-enfartada, não devia passar por abalos emocionais), resolve esconder da pobre senhora a queda do Muro de Berlim e todas as suas conseqüências (Burger King, etc.). O filme é interessante, mas a certa altura um dos personagens aparece vestindo uma camiseta estilo "Matrix", i.e., preta com aqueles caracteres verdes caindo - em 1989!

expandindo o mercado de crédito

A Losango e a Fininvest ainda vão descobrir esse novo filão...

"VIOLÊNCIA
Seqüestrador parcela resgate de empresário

O empresário N.D.L., 30, foi
libertado por uma quadrilha de seqüestradores depois que sua família pagou o
valor do resgate, dividido em duas vezes pelos criminosos. A quantia não foi
divulgada.Segundo a polícia, L. é filho do dono de um depósito de materiais de
construção em Rio Pequeno (zona oeste de SP) e mora em Alphaville, bairro nobre
de Barueri (Grande SP). Após o pagamento da segunda parcela do resgate, L. foi
libertado na rodovia Régis Bittencourt. (DO "AGORA")"


10.11.04

indelével flor do Lácio...

Eis um belo cala-boca naqueles que ainda sonham com uma língua portuguesa "pura", destituída sobretudo dos anglicismos abundantes no mundo da tecnologia, tão em voga nos tempos que correm:

"delete - é interessante de se observar como uma palavra, às vezes, migra ao
longo dos séculos de um idioma para outro. O verbo delete vem do latim delere
(apagar) e passou do francês para o inglês no século 15. No português, acabou
derivando no adjetivo indelével (que não dá para apagar), e, finalmente agora,
no virar do milênio, a palavra, na forma de verbo e com seu sentido original
(deletar), reaparece no português proveniente do inglês."


Excerto do site: http://www.sk.com.br/sk-hist.html.

conheça o novo parlatório d'O BARNABÉ!

Aproveitei o ensejo e substituí também o sistema de comentários deste blog, abandonando o pouco prático esquema do Blogger e adotando o padrão HeloScan, bem mais amigável. Houve, porém, um efeito colateral, que foi a perda de todos os comentários já feitos até agora, pois o HeloScan, na sua versão gratuita, não permite recuperar os comentários antigos. :-((

fim da auto-propaganda enganosa

Substituí o contador ao pé da página e espero que doravante meus próprios acessos não sejam mais contabilizados. Já estava em quase 500 pageviews, sendo que apenas uns 5% desse total (se tanto) eram realmente visitas de leitores, o restante sendo apenas minhas atualizações e testes diversos.

I'm not the only one

O post inaugural deste blog ("comunismo de resultados") não gerou manifestações, mas acabo de descobrir que o César Miranda, do Pró Tensão, pensa parecido (o que me deixa menos angustiado, pois eu estava achando que era o único a enxergar nos supostos "mártires" de 1964-85 um bando de criminosos pouco ou nada diferentes dos que então se encontravam no poder).

quando o Direito encontra a Economia

Inadimplência em condomínios cresce 50%

Mariana Flores - do Correio Braziliense
10/11/200408h55 - A inadimplência nos condomínios residenciais do Distrito
Federal cresceu 50% nos últimos dois anos. Até 2002, 10% em média dos moradores
deixavam de pagar o compromisso. Mas, nos últimos meses, o índice cresceu para
15%, segundo dados do Sindicato dos Condomínios Residenciais do DF
(Sindicondominio). Os síndicos e as administradoras de condomínios creditam o
aumento à entrada em vigor do novo Código Civil, que baixou de 20% para 2% o
limite máximo a ser aplicado em multas mensais por atraso no pagamento. O teto
para dívidas contraídas a partir de fevereiro de 2003 foi reafirmado pela Quarta
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em julgamento anunciado esta semana.

9.11.04

tá no guimba, mas também não é assim...

Tudo bem que o homem já está mais pra lá do que pra cá, mas será que não dava pra esperar ao menos o empacotamento definitivo e oficial antes de deliberarem sobre o local do enterro? Eu, se fosse Arafat, melhorava só de birra, voltava à Palestina e ia viver tempo suficiente para enterrar os desgraçados que queriam me abotoar o paletó definitivo antes do tempo.

Arafat será enterrado em Ramallah

Ramallah, Cisjordânia - Líderes palestinos decidiram que o presidente da
Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, será enterrado em seu
quartel-general em Ramallah, disse o vice-presidente do Congresso palestino à
Associated Press. A decisão foi tomada durante encontro de líderes palestino no
quartel-general em Ramallah, onde Arafat estava confinado há quase três anos por
Israel. "Formamos um comitê para lidar com o enterro de Arafat, no evento de sua
morte, e o enterro será em Muqata", disse o vice-presidente do Congresso
palestino, Hassan Khreishe, referindo-se ao nome do quartel-general.

Sessão da Tarde

Este fim-de-semana resolvi fazer uma sessão reprise e aluguei os três filmes da série De Volta para o Futuro. Seguem algumas legendas (in)dignas de nota:

=> O DeLorean precisa atingir 88 milhas por hora para viajar no tempo. Uma milha equivale a 1.6093 metros, logo a velocidade necessária é de 141,61 quilômetros por hora. Os gênios que fizeram a conversão inverteram a conta, dividindo 88 por 1,6 ao invés de multiplicar. O resultado é uma fala de Michael J. Fox, logo no início do segundo filme, onde ele diz que a rua onde mora não é suficiente para atingir os 55 km/h necessários (o que acaba sendo irrelevante, pois o carro já havia sido convertido para o sistema hover, dispensado essas vias de transporte primitivas).

=> Além de atingir 88 milhas por hora, o DeLorean precisa receber uma carga de energia equivalente a 1,21 gigawatts para a transição temporal. Na legenda, vira "1,21 jigawatts" (difícil acreditar que eles possam ter conseguido tal carga de energia...).

=> Colocando na dublagem e ao mesmo deixando com as legendas em português, no final do primeiro filme Michael J. Fox reaparece logo após ter sido enviado de volta a 1985. Christopher Loyd, surpreso, exclama: "Santo Deus", enquanto a legenda mostra "Great Scott". Resultado: o espectador cego se pergunta porquê um cientista lógico-frio-racional acreditaria em Deus enquanto o espectador surdo se questiona sobre quem diabos é Scott.

Como se não bastasse, no "bônus" (essa palavra tem plural?) conta-se como foi feito o hoverboard, aquele skate flutuante de 2015, deixando-me inconsolável ao saber que não era nada de mais, apenas cabos invisíveis segurando os atores. No fundo, desde criança eu nutria uma esperança irracional de que o hoverboard existisse de verdade (de repente era só um protótipo na época, a ser lançado algum dia...).

a cigarra, a formiga e o Brasil

Durante a faculdade, somos (nós, das áreas de humanas) apresentados a obras como "A ética protestante e o espírito do capitalismo", de Max Weber, e "A riqueza e a pobreza das nações", de David Landes. Talvez seja tarde demais: o Ministério da Educação deveria tornar obrigatória a apreensão dos valores ali contidos (trabalho duro leva à prosperidade, é justo que os vagabundos morram de fome, etc.) desde a mais tenra idade. Como não dá pra fazer os catarrentos lerem Weber aos 7 anos, uma boa proxy seria iniciar sua alfabetização com a fábula lafontainiana da formiga e da cigarra:

A cigarra passou cantando
todo verão desse ano.
Depois se viu num apuro,
chegou um inverno duro.
Por um pedaço ou migalha
de pão ou mesmo de palha,
foi chorar feito mendiga,
lá na porta da formiga.
-"Qualquer coisa de comer!
Eu prometo devolver,
assim que seja verão.
Cada grão por cada grão.
E, palavra de animal,
com juros etc e tal."
-"E no tempo de calor?
O que fazia? me diga,"
perguntou-lhe a formiga,
sem pena da sua dor.
­"Eu cantava, noite e dia.
Eu cantava toda hora."
-"Cantava, né? Já sabia!
Muito bem... Dance agora!"
(Tradução de Maria Cardoso)

Desconfio que em algumas gerações isso poderia ter algum efeito, ainda que mínimo, sobre o desenvolvimento do país.

no país das certidões

Nem o Tribunal do Santo Ofício deve ter contribuído tanto para o emperramento da Ciência quanto nosso Estado cartorial.

POLÍTICA CIENTÍFICA
Exigência de certificado inexistente veta importação de produtos para estudos de biologia molecular
Documento-fantasma assombra cientistas
SALVADOR NOGUEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A exigência por parte do governo brasileiro de um documento que o país não emite ameaça interromper a realização da maior parte das pesquisas de biologia molecular e genética no país.Emitido em 12 de julho, o Ofício Circular nº 59, do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, lista, entre os documentos exigidos para a importação de materiais de origem biológica para pesquisa científica, a apresentação de um Certificado Zoossanitário Internacional.Ocorre que esse documento, como o próprio nome já diz, só é produzido no caso de produtos animais ("zoo" é um prefixo grego, significa "animal"); não existe nos casos em que o produto a ser importado é proveniente de bactérias, como ocorre em várias enzimas (proteínas) usadas nos mais variados ramos da genética.

crime? aqui?

O governo da Gringolândia publicou um relatório informando seus cidadãos sobre os perigos de se visitar lugares como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Aqui a reação do governo local será, segundo anunciado pelo porta-voz pertinente, enviar um ofício ao embaixador da Gringolândia aqui no país requerendo explicações sobre o dito documento.


É reconfortante saber que, alertados sobre a existência de criminalidade cá por essas bandas, nossos dirigentes respondem com medidas concretas e efetivas para debelar o problema.

8.11.04

o novo Código Civil e suas bizarrices

08/11/2004 - 10:47
STJ confirma limite de 2% ao mês para multa do condomínio
da Folha Online

País imbecil, leis imbecis... Supondo que a lei "pegue", os atrasos vão aumentar e a única solução será engordar a fatura de todos os condôminos - logo, todos pagarão pela picaretagem de alguns (assumindo-se, claro, que os honestos sejam maioria, o que não necessariamente corresponde à realidade - pode bem ser que alguns acabem pagando pela picaretagem de muitos). Supondo que a lei "não pegue", as convenções de condomínio passarão a estabelecer que o valor do condomínio é X, mas que se for pago antes do prazo de vencimento haverá um desconto de Y% (onde Y = percentagem da multa que seria aplicada na ausência da lei), num malabarismo jurídico-redacional que só o brasileiro (esse povo tão criativo quanto displicente) é capaz de fazer.

só pra constar

NoMínimo publicou também minha manifestação ao dito artigo, na coluna FalaLeitor:

"De: Alfred E. Neuman
Para: José Paulo Kupfer

Ora, como assim "[...] consta que o BC trabalha com a idéia de que, se a
economia brasileira crescer acima de 3,5%, a inflação sai do controle."? Também
"consta" que existem lobisomens e alienígenas. Como pode você, meu caro Kupfer,
basear todo o seu artigo na idéia de que o BC trabalha em cima da "meta de
estagnação" sem se dar ao trabalho de apresentar aos leitores a fonte de onde
tal informação é extraída? Preguiça de ir atrás? Puro desconhecimento? O sigilo
da fonte só é justificável quando necessário à preservação do informante. É esse
o caso? Porque se for, faltou explicar aos leitores que você tem "inside
information" de gente de dentro do BC. Deixando como está - i.e., apenas no
"consta" -, todo o seu artigo carece de fundamentação, pois constitui uma série
de elocubrações a respeito de um fato que apenas "consta" (onde? em algum paper
do BC? alguma declaração pública de alguém que lá trabalha?). Bom, é isso."


the dismal science and its haters

Comentário de leitor do NoMínimo ao artigo "Estagnação como meta", de José Paulo Kupfer:

"De: Humberto Soares
Para: José Paulo Kupfer

A condução de política econômica é mesmo uma arte, apesar de economistas
aspirarem a ser tratados como cientistas. Existe sempre algum risco de
crescimento inflacionário quando as coisas começam a se aquecer, mas realmente
não devemos esperar o País resolver seus problemas de infraestrutura e outros
gargalos produtivos para soltar um pouco as rédeas da política monetária e
deixar o mercado correr pra o gol. Seu artigo é um contraponto excelente. Espero
de coração que o Meirelles o leia. Muito obrigado."


Se a condução da política econômica é uma arte, talvez Gilberto Gil esteja na pasta errada. Ou, dada a analogia futebolística do leitor (segundo a qual a equipe econômica seria um time "retranqueiro"), talvez fosse o caso de colocar o Agnelo Queiroz como titular da Fazenda. Ou chamem logo o Felipão!

6.11.04

leões e barnabés

Lendo o post legitimamente indignado do Ismael (O Malfazejo) sobre a dificuldade de se obter uma maldita licença neste país sem ter que apelar à benevolência da "otoridade" de plantão, lembrei-me da história dos leões fugidios (velha e gast