o dinheiro público, esse sem-dono (3)
Num post anterior, eu fiz umas contas sobre possíveis usos alternativos para o dinheiro que gastamos sustentando nossos diplomatas que trabalham (sic) no estrangeiro. Minhas contas estavam baseadas na declaração do Bismarck dos Trópicos ("oh, céus, ele citou a Veja, veículo do neoliberalismo monopensante destinado à classe média acrítica blábláblá"), segundo o qual cada representação bananal nos custaria aí uns 200 mil dólares por ano.
Pois eis que, no ensejo de um trabalho que estou fazendo no mestrado, fui pesquisar quanto realmente custa cada bandeira verde-amarela no exterior e... deu quase nove vezes mais do que as contas do nosso chanceler: US$ 1,73 milhões, segundo dados do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, parcialmente* acessível ao público pelo Portal da Transparência).
No total, nossas representações saem, por ano, a bagatela de meio bilhão (eu disse bilhão) de reais. Com essa grana (e segundo o mesmo SIAFI) daria para:
(i) tapar 75 milhões de buracos em nossas vias públicas;
(ii) aumentar em 4.166% o dinheiro (supostamente) transferido aos pobres pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;
(iii) aumentar em 33.829% o orçamento da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (responsável por programas que, idealmente, transformam pivetes em padeiros/eletricistas/consertadores de rádio quebrado/etc) do MEC;
(iv) aumentar em 160.256% o total gasto pela Polícia Federal em armas e munição;
e, não menos importante,
(v) aumentar meu salário em aproximadamente 10.000.000%;
* A Humanidade não está preparada para ter acesso a todos os dados do SIAFI.

