O BARNABÉ

Pensamentos desordenados sobre a estupidez humana (inclusive a do próprio autor), o Brasil, o mundo e o sentido da vida. Todos os comentários são bem-vindos, sobretudo quando o escrevente assumir suas posições sem falsa neutralidade, afirmando claramente que prefere manteiga a margarina e brindando-nos com as razões que o levam a tal ordem de preferências.

22.2.05

mais uma leva...

Os cumpanhêro tão chegando. Só me resta espalhar sacos de areia e arame farpado ao redor da minha sala.

"Sem concurso, Planalto nomeia mais 834 assessores

O Estado de S. Paulo - 22/02/2005

Muitos que assumiram vieram de cidades onde o PT perdeu a eleição
Leonencio Nossa - Tânia Monteiro

BRASÍLIA - Mesmo diante dos apelos para reduzir os gastos públicos, o governo vem aumentando o número de funcionários efetivos e em cargos de confiança. Com as mudanças recentes feitas na estrutura dos ministérios, o número de novos cargos vai chegar a 4.868 até o final deste mês. Só o Palácio do Planalto, de setembro para cá, nomeou mais 834 pessoas em cargos comissionados, muitas delas oriundas de prefeituras como São Paulo, Porto Alegre e Goiânia, onde o PT deixou o poder, acomodação semelhante à que aconteceu no início do
governo. [...]"

17.2.05

o spam nosso de cada dia

Se li direito, uns gringos que pretendem estimular a globalização via ferramentas de busca na Internet (!?) vão me pagar € 1 milhão por eu ter usado o Google. E depois o brasileiro se diz o povo mais criativo do mundo.

"GOOGLE EMAIL LOTTERY INTERNATIONAL

FROM: INTERNATIONAL PROMOTION / PRIZE AWARD .
PROMOTING INTERNET USAGE
OVER THE GLOBE
(WE ENCOURAGE GLOBALIZATION)

FROM: THE LOTTERY COORDINATOR,
INTERNATIONAL PROMOTIONS/PRIZE AWARD
DEPARTMENT
GOOGLE B.V. Boeing Avenue 44 9459 PE.
RESULTS FOR CATEGORY "A"
DRAWS

Congratulations to you as we bring to your notice, the results of the First Category draws of GOOGLE LOTTERY INT. We are happy to inform you that you haveemerged a winner under the First Category, which is part of our promotional draws. The draws were held on 4th of January 2005 and results are being officially announced yesterday 16th of February 2005. Participants
were selected through a computer ballot system drawn from 2,500,000 email addresses of individuals and companies from Africa, America, Asia, Australia, Europe, Middle East, and Oceania as part of our International Promotions Program.

Your e-mail address, attached to ticket number 50941465206-529, with serial number 5772-54 drew the lucky numbers 3-4-17-28-35-44 and consequently won in the First Category. You have therefore been awarded a lump sum pay out of 1,000,000 euros(One million euros), which is the winning payout for Category A winners. This is from the total prize money from 2,000,000 euros shared among the 2 winners in this category.


CONGRATULATIONS!


Your fund is now deposited with the paying Bank. In your best interest to aviod mix up of numbers
and names of any kind, we request that you keep the entire details of your award strictly from public notice until the process of transferring your claims has been completed, and your funds remitted to your account. This is part of our security protocol to avoid double claiming or unscrupulous acts by participants / non participants of this program.Please contact your claims agent immediately for due processing and remittance of your prize money to a designated account of your choice: To file for your claim, please contact the fiduciary agent.
***********************************************
Mr.Michael
Jones,
Proof Trust Agency
0030-699-769-2793
Email:prooftrust@netscape.net
Sintagma 113
10435 Athens
GREECE.
***********************************************
You are advised to
contact the agents by email.
NOTE: For easy reference and identification,
find below your reference and Batch numbers. Remember to quote these numbers in every one of your correspondence with your claims agent.
REFERENCE NUMBER:
LSLUK/2031/8161/04
BATCH NUMBER: 14/011/IPD
Congratulations once again
from all our staff and thank you for being part of our promotions
program.
Sincerely Yours,
MRS.ADRIANA P.COLE."

15.2.05

barnabés e jornalistas

Dos articulistas da Veja, só costumo ler o Diogo Mainardi e o Gustavo Franco. Mas esse artigo do Stephen Kanitz me chamou a atenção, pois parece bem razoável essa associação que ele faz entre nosso sofrimento pretérito nas mãos do Tribunal do Santo Ofício e nosso temor atual de dizer algo que desagrade sabe-se lá a quem.

E se esse temor é visível na sociedade brasileira como um todo, fica ainda mais claro dentro da máquina pública: barnabé morre de medo da imprensa. Se antes os algozes responsáveis por nossos piores pesadelos eram os clérigos e suas fogueiras, hoje são os jornalistas e suas pautas. É um medo quase supersticioso, como minha avó tinha medo de sapo, pois era "bicho ruim". O pânico se instala a cada vez que toca o telefone e a voz do outro lado manda um "bom dia, aqui é o Fulano de Tal, sou jornalista do periódico A/B/C e gostaria de conversar com alguém aí a respeito do assunto X/Y/Z". Pode ser o assunto mais banal da repartição, algo que todo mundo conhece e que poderia ser discutido até pela moça do cafezinho, mas encontrar alguém disposto a conversar com o pobre do jornalista é uma via crucis. A resposta-padrão para esses casos é "olha, no momento meu superior imediato não se encontra e eu preciso falar com ele antes pra ver se ele me autoriza, então deixa seu telefone que nós te retornamos quando for o caso (isto é, dentro de uns quatro ou cinco séculos)". A primeira coisa que vem à mente do barnabé é "pq esse cara tá querendo saber desse assunto?" e daí às teorias conspiratórias é um pulo: "deve ser alguém da oposição querendo armar pra cima do governo"; "é alguém a mando do chefe pra me testar"; "é um lobista querendo forçar um contato com alguém aqui da repartição" e por aí afora. Quando a notícia do telefonema se espalha pela repartição, o dia de trabalho está morto e aquele será o único assunto possível em todas as mesas: "meu Deus, o que eles querem com a gente?"; "mas nós não fizemos nada!"; "e agora, como vamos sair dessa?". Aí o povo elabora artimanhas para evitar o jornalista: "olha, vamos combinar assim, quando ele ligar de novo, vamos dizer que o assessor de imprensa (que não existe) está de férias e que só ele poderia falar." E isso tudo independente de o jornalista querer conversar sobre os documentos secretos da Operação Condor ou sobre o consumo mensal de clipes de papel na repartição. A relação entre sigilosidade das informações e a relevância destas para a segurança nacional ou para a proteção de terceiros é virtualmente inexistente: jornalista é bicho ruim e pronto.

Claro que jornalista é um bicho manhoso: se eles querem saber B, perguntam A e C e tiram B por inferência. Há que se ter cuidado para não revelar o que de fato não pode ser revelado, de acordo com a legislação atinente à confidencialidade dos documentos e informações públicas (putz, virei barnabé mesmo: o primeiro sintoma é justificar alguma coisa com base na lei e não na lógica ou na razão...). Mas não se pode esconder algo essencialmente público apenas pq "não sabemos como ele vai usar essa informação". Ora, ele usa como quiser, o papel do governo é dizer à sociedade o que está fazendo, mas o julgamento cabe ao distinto público. Não dá pra sonegar informações no intuito de impedir uma eventual análise negativa das mesmas. Contudo, algo em nossos genes culturais parece nos remeter continuamente à imagem de fogueiras tostando infelizes que falaram o que não deviam.

(Se bem que na nossa "Repúbrica dos Cumpanhero", como bem a apelidou o Guto, é bom mesmo o cara pensar duas, três vezes antes de dizer alguma coisa a alguém, pois caso contrário os "cumpanhero di cima pódi num gostá" e, aí, adeus cargo de confiança.)

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