O BARNABÉ

Pensamentos desordenados sobre a estupidez humana (inclusive a do próprio autor), o Brasil, o mundo e o sentido da vida. Todos os comentários são bem-vindos, sobretudo quando o escrevente assumir suas posições sem falsa neutralidade, afirmando claramente que prefere manteiga a margarina e brindando-nos com as razões que o levam a tal ordem de preferências.

30.6.05

tá podendo

Roubertão é, hoje, talvez o mais poderoso homem da República.

a vida como ela é

O cara é sueco. Mas não apresenta sintomas da Síndrome de Estocolmo.

26.6.05

orkutologia

Vc passa anos dedicando-se à árdua tarefa de apagar todos os traços interioranos da sua personalidade. Policia o sotaque. Vende pro brechó a camisa xadrez e aquele cinto de tiras de couro trançadas. Deixa os CD's do Zezé di Camargo & Luciano na casa dos seus pais e recusa-se a admitir que um dia foram seus. Torna-se cosmopolita, tolerante, deixa de se espantar com certas coisas. Suas perspectivas se alteram radicalmente, vc passar a ter outros objetivos, as coisas que antes davam sentido à sua vida (pegar mulher e ir ao rodeio) dão lugar a outros propósitos, mais amplos (pegar mulher e trabalhar pelo interesse público). Vc cria até um blog, veja só que coisa mais modernosa. Em poucos anos ninguém diz que vc veio do mato, de uma cidadezinha com 15 mil habitantes cujo único jornal circula de mês em mês (e tem apenas quatro páginas) e onde os valores sociais e políticos ainda são os do Brasil-Império (uma mesma família governa a cidade há séculos, estudar é coisa de vagabundo que não quer ajudar o pai no comércio/fazenda/política, as solteironas são mal-faladas pelas senhoras casadas, homem que é homem tem que arrumar confusão no bar, etc e tal).

Daí aquele seu colega da oitava série te encontra no Orkut e revela ao mundo todos os apelidos contrangedores que vc já teve e as passagens mais humilhantes da sua infância/adolescência. Aquele seu "eu" anterior, que vc matou, enterrou e exorcizou, ressurge pelas mãos de um Salsicha/Cabeção/Zé Porquinho/qualquer-apelido-bizarro que, por infelicidade, conseguiu reconhecer o seu profile apesar de toda a transformação externa e interna (ui) pela qual vc passou. E todo aquele processo de "reconstrução social" vai por água abaixo num único scrap.

***

O Orkut atenua a síndrome do "só-tem-eu-sozinho-em-casa-neste-sábado-à-noite". Vc está lá, jogado às traças/esquecido/encalhado, achando que o mundo é uma grande suruba da qual só vc foi deixado de fora e, de repente, vê todas aquelas caras online e percebe que a suruba talvez não esteja tão boa.

***

Meus amigos comprometidos reclamam que o Orkut tem permitido às suas respectivas descobrirem suas escapadas (como diz o mestre Veríssimo, "homem não mente - apena inventa histórias para proteger as mulheres"). Mais grave ainda, as respectivas (não apenas as deles, mas as do mundo todo) estão se reunindo em comunidades do tipo "Olha o que aquela vaca escreveu no scrap dele!", com o vil objetivo de trocar experiências a respeito da infidelidade masculina (cf. Veríssimo, op. cit.) e, assim, desenvolver novas técnicas investigativas. Dizem eles que eu é que sou feliz, pois não tendo uma Dona Encrenca em constante vigilância, não preciso me preocupar com o que escrevem na minha página de recados.

Nada mais fantasioso. Nós, solteiros/descompromissados/tico-tico-no-fubá tb somos prejudicados em nossas atividades pegacionais por conta dessa invenção daquele turco safado. Pq mulher é um bicho esquisito: mesmo qdo não tá namorando o cara, fica puta qdo vê que não tem exclusividade na vida dele. Então vc adiciona a gatinha da pós-graduação, a gostosa do curso de francês, a irmã daquele seu conhecido e, no fim das contas, uma vê os scraps da(s) outra(s) e o resultado é que eu continuo solteiro/descompromissado/tico-tico-no-fubá.

***

Mas complicado mesmo é quando duas ou mais ex ("ex" tem plural?), enciumadas pela distribuição desigual de scraps (= atenção, no entender delas) que recebem de vc, começam a barracar entre elas no seu scrapbook: "Eu sei que vc ainda dava em cima dele mesmo quando ele já namorava comigo!"; "Vc não sabe de nada, ele é que me procurava dizendo que nunca havia me esquecido!"; "Duvido, ele era apaixonado por mim, jamais voltaria pra vc e esse seu cabelo pixaco!"; "Ah, é? Então pergunta onde ele tava naquele dia em que..." e por aí vai. Surreal.

24.6.05

o modus operandi petista:

(i) vc tem um problema;
(ii) vc descarta quaisquer soluções inovadoras invocando as palavras-chave que te causam repulsa: "privatização", "alienação", "neoliberalismo", "mercado", "bom senso", "inteligência", etc...
(iii) vc resolve passar o chapéu mundo afora, como se os demais países tivessem alguma razão para custear nossa incompetência;
(iv) vc cria um comitê com mais de 60 entidades da "sociedade civil organizada" (= os vagabundos da CNBB), conferindo caráter político a decisões de natureza técnica, entregando um tema complexo a centenas de radicais ignorantes, inviabilizando qualquer tomada de decisão e desperdiçando nosso tutu com mais um órgão inútil, apinhado de "cumpanhêro" petista;
(v) vc chama o item (iv) de "democratização da gestão pública"; e
(vi) quando a idéia do chapéu fracassar, vc vai à imprensa e denuncia a "conspiração" dos países ricos contra nossos esforços de desenvolvimento.

23.6.05

é forçoso reconhecer...

Çua Esselensia fez um pronunciamento à Nação agora há pouco. Verdade seja dita: o hómi tem o dom do convencimento. Por mais que todo o noticiário aponte que ele foi inepto (por desconhecer o que se passava nas entranhas de seu governo) ou (pior) conivente (por deixado a coisa rolar mesmo tendo ciência do que se passava), é difícil resistir àquela fala cândida, quase sofrida, de quem parece imbuído de uma missão maior. Ele consegue, de fato, transmitir sinceridade. O carisma dele é tal que quase me senti culpado por alguns posts dos últimos dias. Mas ficou mesmo no 'quase' e já passou.

na Economist de hoje


True or not, bribery allegations made by Roberto Jefferson (pictured above testifying in Congress) have left Lula's government reeling.

Coisas que não batem:

(i) o cenário é muito bonito;
(ii) a audiência está de fato prestando atenção ao que diz o depoente;
(iii) não há parlamentares em pé, gritando e com o dedo em riste; e
(iv) os rostos ao fundo têm expressões sérias e honestas.

democratura petista

Ataque à imprensa: O RS já conhece este filme.

Da mesma forma que ocorreu há dois meses no interior gaúcho, onde um carro da RBS TV foi incendiado por bandidos protegidos por sem-terras, nesta terça-feira a noite, em São Paulo, uma equipe da TV Globo foi agredida por "desconhecidos".

De acordo com o Jornal da Globo, o incidente ocorreu defronte à sede do PT, no centro da cidade, quando o repórter Lúcio Sturm, o cinegrafista Gilário Batista e o técnico Marçal Araújo gravavam uma reportagem.. A equipe registou ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia, no centro da capital paulista.

Este tipo de delinquência política foi praticado no RS durante o Governo Olívio Dutra, quando bandos de lumpens a serviço da bandidagem política, invadiram o plenário da Assembléia Legislativa, tocaram fogo no chamado Relógio dos 500 Anos (Rede Globo) e tambéminvadiram as instalações do jornal Zero Hora.

Os carros do jornal Zero Hora, que costumam reproduzir fotos dos seus principais colunistas, sempre evitaram estampar os retratos do jornalista José Barrionuevo, temendo ataques de militantes do PT.

Os episódios de violências contra jornalistas permeou todo o Governo Olívio Dutra, cujos membros do próprio Governo e do PT, moveram dezenas de processos judiciais contra profissionais da imprensa, cortaram verbas de publicidade dos veículos para forçar a demissão de jornalistas, impediram o acesso de jornalistas às informações e às fontes governamentais e mantiveram a mídia acuada.

A perseguição aos jornalistas gaúchos foi tão escandalosa, que o Movimento de Justiça e Direitos Humanos chegou a promover ato público na sede da OAB-RS para homenageá-los com troféus.

Os episódios políticos de violência estão pipocando há algum tempo, sempre nas cercanias do Governo Lula e do PT. Há apenas uma semana, a Secretária Fernanda Karina, que denunciou as relações criminosas entre o publicitário mineiro Marcos Valério e o Governo do PT, foi ameaçada de morte em Belo Horizonte. Até hoje, o assassínio do Prefeito Celso Daniel resta sem explicação.

Se a esquerda acha que acumulou forças para patrocinar um enfrentamento armado, deve ter feito novamente má leitura da história. Estas tentativas sempre foram esmagadas e resultaram em regimes autoritários de direita. Essa gente deveria ler a entrevista de Dilma Roussef, nesta quarta-feira, na Folha de S. Paulo, quando disse sobre o confronto armado do qual participou na ditadura: A gente fez uma análise errada. Errar de novo seria uma farsa sem justificativa histórica nenhuma.

22.6.05

ele realmente acredita nisso?

"[...] ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito neste país."

Então estamos mesmo perdidos.

tome nota

Você tem de encontrar uma boa mulher. Não muito esperta, nem muito burra. Nem muito velha, nem muito nova. Meio termo. Uma que saiba cozinhar e limpar. Então, você agradece a ela e vai em frente.

20.6.05

menos 100 mi na nossa conta

Çua Esselensia anunciou, hoje, um fundo mercosulino de US$ 100 milhões para promover o desenvolvimento de Paraguai e Uruguai e assim tornar as relações intra-bloco menos assimétricas. Três falácias aí:

(i) dinheiro promove desenvolvimento (é o oposto: cultura de honestidade e trabalho e instituições conducentes a atividades produtivas é que promovem o desenvolvimento - que por sua vez se materializa em dinheiro);

(ii) quem tem mais deve ajudar quem tem menos (a ajuda internacional, quando não é perniciosa - por permitir ao receptor adiar reformas importantes -, é inócua, pois em nada contribui para alterar a cultura e as instituições - verdadeiras responsáveis pelo desenvolvimento); e

(iii) os pobres, unidos, jamais serão vencidos (juntar dois ou mais países pobres gera tanto desenvolvimento quanto juntar dois ou mais mendigos).

um sonho

Se eu fosse o Prizidenti, transferiria a capital do país para Caldas Novas. Mas apenas os palácios presidenciais (tanto o funcional quanto o residencial). Todos os demais órgãos e repartições continuariam em Brasília. Eu despacharia com os ministros falando do meu celular à prova d'água, imerso em piscinas termais. Minhas secretárias trabalhariam de biquíni fio-dental e as mais competentes teriam o privilégio de despachar comigo na Jacuzzi presidencial. O horário de trabalho seria das 16:30 às 18:00, pois antes disso os raios solares são potencialmente cancerígenos. Após o expediente, para relaxar, grupos de dança ensinariam os mais novos passos de axé e aerobahia para todos os funcionários do palácio - seria um momento de integração do Prizidenti com seu staff. As emissoras da cidade seriam previamente censuradas, de modo que apenas as boas notícias sobre o País chegassem a meu conhecimento. E eu só passaria a faixa ao sucessor se ele topasse realizar a cerimônia de posse lá em Caldas, com todo o gabinete ministerial vestindo bermuda branca com bolinhas vermelhas e usando bóias de braço.

descrençando (2)

As secretárias aqui da repartição não passam fax, não tiram cópia, não agendam reuniões e, sobretudo, não pensam. Acéfalas, seu trabalho se resume a atender as ligações do número geral aqui da repartição e repassá-las para os barnabés pertinentes. E só. Pois dia desses vi uma delas se queixando ao chefe: "pôxa, assim não dá, esse telefone não pára de tocar, desse jeito eu não sei se vou poder continuar aqui não!". Resposta: "não se preocupe, eu vou pedir ao pessoal para puxar uma parte das ligações, assim vc não fica tão sobrecarregada."

carimbolândia

Uma amiga contou que, na empresa onde trabalha, o Messenger é amplamente utilizado como ferramenta de comunicação interna. Aqui na repartição o Messenger é bloqueado. A "comunicação interna" se dá por meio do bom e velho memorando, assinado e carimbado em duas vias.

Tempos atrás comecei a usar o e-mail nas comunicações internas, a despeito da suspeição dos barnabés contra esse tipo ferramenta. A reação: disseram-se que posso continuar utilizando e-mails, desde que os numere, imprima, rubrique e arquive. E alertaram-me que, mesmo adotando todos esses procedimentos, os e-mails não têm qualquer valor legal/processual.

Daí vem esses comunas dizendo que, no Brasil, o Estado precisa suprir a carência de entrepreneurship do setor privado. Temos até uma política industrial voltada para o desenvolvimento de software! Que o contribuinte tenha piedade de nossas almas...

18.6.05

mistérios do funcionalismo

Uma das coisas que me intriga no serviço público é a reação dos barnabés quando são convidados a ocupar altos postos dentro da burocracia. É mais ou menos assim:

- "Oh, Sr. Presidente/Ministro/Secretário, muito me lisonjeia que Vossa Excelência tenha se lembrado deste seu humilde funcionário, mas é um cargo de altíssima responsabilidade, precisarei refletir sobre se estou à altura de tão nobre e desafiante tarefa!"

e, após alguma ensebação, finalmente responde:

- "Sr. Presidente/Ministro/Secretário, muito refleti a respeito de vosso convite e concluí que não posso me furtar ao dever de servir à Nação neste momento em que meus préstimos se fazem necessários!".

Putz, o cara sabe que vai aceitar no mesmo segundo em que recebe o convite e mesmo assim fica fazendo doce! Ora, qual o sentido em se fingir desinteresse numa nomeação para o primeiro/segundo/terceiro escalão??

É o próprio nirvana barnabeístico, o cume da vida burocrática! É quando vc poderá, finalmente, usar sua caneta como bem lhe aprouver, publicando portarias, decidindo de fato (ao invés de apenas submeter suas opiniões à decisão do superior), fazendo as coisas que lhe cabem acontecerem da maneira que vc acha mais correta.

É o poder, enfim - e o poder, além de seu charme em si, é o que te permite tornar o pedacinho da máquina que lhe compete menos disfuncional. Ao menos esse minúsculo pedaço do Estado será operado de acordo com o que VC acha que é melhor para o país.

É sua chance de não apenas expressar suas idéias sobre isso ou aquilo mas de, efetivamente, torná-las realidade, fazê-las acontecer. Daí que não entendo esse povo que fica fazendo doce. Fosse comigo, teria desde já umas respostas na ponta da língua:

- "Demorou!"

- "Só se for agora!"

- "Onde é que eu assino??"

- "Posso contratar umas secretárias gostosinhas??"

17.6.05

anti-americanismo americano

Jeffrey Sachs, no Estadão de hoje:

Os EUA são um fornecedor generoso de ajuda à África, reza a mitologia, mas a África é corrupta e mal administrada e, por isso, não pode absorver mais ajuda. Além disso, não há folga no orçamento para para fazer mais do que já se está fazendo. Essa fantasia é amplamente partilhada nos EUA e lembra o dito de Napoleão de que "a história é uma mentira amplamente aceita".

[...]

Os milhões de africanos que morrem jovens e as centenas de milhões de famintos não são vítimas do destino. São conseqüência da política americana.


1) Pq diabos os EUA deveriam ajudar a África (ou quem quer que seja)?
2) Jeffrey Sachs não lê o FYI.

descrençando

O caminho mais rápido para se tornar um liberal é ingressar no serviço público. Ler Hayek, Friedman e Mises é necessário. Muito mais convincente, porém, é ver toda a desorganização e inoperância do Estado por dentro. Vc começa a trabalhar numa repartição acreditando que será parte da solução e, poucos anos depois, percebe que é parte do problema. É perturbador.

16.6.05

blogai por nós, pecadores

- Então, filho, o que te aflige?
- Padre, tenho tido pensamentos censuráveis...
- Hhhmmm... Que espécie de pensamentos? Libidinosos?
- Não, padre. Quer dizer, também, mas esse não é o ponto. Tenho sido acometido por pensamentos ainda mais pecaminosos que os da luxúria...
- Então, conte-me o que está se passando para que possamos libertar sua alma desse fardo.
- Tá bom. Sabe, padre, eu votei no Serra em 2002.
- Entendo. Olha, se ainda estivéssemos em 2002 eu lhe censuraria gravemente, mas hoje tenho minhas dúvidas...
- Não, o senhor não está entendendo. O problema não é eu ter votado no Serra. Sabe, padre, eu tenho minhas crenças sobre economia e política e votei no Serra pq, dos candidatos à época, era o que mais se aproximava dessas minhas crenças.
- Mas então qual é o problema, filho? Pecado seria votar contra a sua consciência, trocar seu voto por um par de botas, colar um adesivo do Severino no vidro do carro, enfim, coisas desse tipo.
- Eu sei, padre. Mas é que eu tenho me perguntado se votaria novamente no Serra se a eleição se repetisse hoje.
- Mas pq? Suas convicções se alteraram desde então? Deus nos permitiu o livre-arbítrio, o que implica não só apenas a liberdade de ter uma opinião com também a liberdade de mudar de idéia.
- Eu sei. Mas é que eu não mudei de idéia desde 2002. O que se passa... bem... eu tenho vergonha de falar, padre...
- Filho, esta é a casa de Deus, não há nada que Ele não possa perdoar desde que o arrependimento seja sincero.
- É que o Lula duplicou meu salário desde que assumiu. Sabe, padre, eu sou funcionário público e desconfio que, se o Serra tivesse sido eleito, eu não teria tido esse aumento todo.
- Mas, filho, desde que vc esteja ajudando ao próximo na medida das suas possibilidades...
- Bom, esse é outro ponto que precisaremos discutir depois... Mas a questão é a seguinte: se eu pudesse voltar no tempo, sabendo desse aumento, não sei se votaria no Serra novamente. Votaria nele se tivesse certeza de que meu voto não teria qualquer influência no resultado das eleições e que o Lula ganharia do mesmo jeito. Mas supondo que meu voto fosse decisivo, tipo 50%-50%, sendo eu o último eleitor, o voto de Minerva, já não sei ao certo o que faria. Daí minha angústia, padre, pois temo que, obrigado a escolher, eu ficaria tentado a optar pelo bem individual ao invés do coletivo. Padre, pelo amor de Deus, me ajude, estou sendo tentado pelo capeta neoestatizante!
- Filho...
- Sim, padre?
- Vc teria aí uns cem reais pra me emprestar? Sabe como é, o novo papa andou cortando umas gratificações e a gente não tem reajuste desde Paulo VI... E eu votei no Lula em 2002, de forma que, indiretamente, também contribuí para o seu aumento, veja só. E ajudar o próximo conta pontos perante Ele, de repente até te ajudava na absolvição desses seus pensamentos pecaminosos...
- Padre, o senhor está possuído pelo demo. Reze quinze ave-marias, vinte pai-nossos e faça jejum por uma semana. E devolva cá a minha carteira ou eu levo aquela imagem de Nossa Senhora com detalhes em ouro que enfeita a entrada aqui da igreja!

Que o Pai esteja conosco!

14.6.05

pq não acredito em astrologia (2)

No Orkut:

"Sorte de hoje: Você é generoso, hospitaleiro, alegre e querido."

11.6.05

conspirando

The Sims:
- as pessoas com quem vc mantém contato ficam registradas num banco de dados;
- seu relacionamento com cada um de seus conhecidos é catalogado de acordo com aquela barrinha que expressa o grau de afinidade;
- por meio daquele menu embaixo da tela, seus desejos, temores e aspirações tornam-se públicos;
- seu grau de "bemquerença" pelos outros é medido por uma barrinha verde;
- todo mundo vê o que vc faz;
- vc pode abdicar do controle sobre os personagens e deixá-los viver livremente;

Orkut:
- as pessoas com quem vc mantém contato ficam registradas num banco de dados;
- seu relacionamento com cada um de seus conhecidos é catalogado de acordo com as categorias "conhecido", "amigo", "bom amigo" e "melhor amigo".
- por meio de suas comunidades e scraps, seus desejos, temores e aspirações tornam-se públicos;
- seu grau de "bemquerença" pelos outros é medido em ícones (corações, cubos de gelo e smiles);
- todo mundo vê o que vc faz;
- vc tem a sensação de ser livre mas, após jogar The Sims, pergunta-se se não é apenas fruto de alguma mente imaginativa e desocupada;

10.6.05

a lógica da inação coletiva

Em qq disputa eleitoral, os liberais estarão em desvantagem. Vencer uma eleição requer várias atividades que não podem ser desempenhadas por um indivíduo sozinho, tais como montar um partido, geri-lo, convencer o resto do mundo a se filiar a ele, etc. Ao passo que os liberais são, por natureza, individualistas, avessos ao contato humano e às ações coletivas.

Nos comunas, bien au contraire, o associativismo é traço quase genético, os caras já nascem bradando "o povo, unido, jamais será vencido!", acreditam que o mundo se divide em "classes" (e não em indivíduos), coisa e tal. Daí que, ceteris paribus, os custos de ação coletiva são diferentes para liberais e comunas: os primeiros enfrentam, além dos custos materiais de disputar uma campanha, os custos psicológicos de estabelecer relações com outros seres humanos.

Donde se conclui que poderíamos escrever uma tese de doutorado sobre a necessidade de financiamento público de campanha exclusivamente direcionado para os partidos liberais (se é que existem). O capítulo teórico seria bem simples. Em seguida viria um capítulo meio normativo (já que estamos no Bananão, onde o rigor científico não é levado muito a sério mesmo) onde o doutorando sustentaria que uma eleição só pode ser "justa" qdo todas as partes têm idênticas condições de competir, em absolutamente todos os aspectos (de repente caberia uma interpretação criativa - ou um "refinamento" - do conceito Dahlsiano de democracia).

Daí, no final, alguns cálculos sobre a quantidade de recursos pareto-ótima que deveria ser destinada a cada partido liberal, de acordo com o individualismo médio de seus respectivos membros tendo em vista, por outro lado, o associativismo médio dos partidos comunas. Se bem que esses fatores são variáveis no tempo - e se um partido liberal ficar menos individualista no decorrer da campanha, após definido o montante a que terá direito? Talvez, então, um capítulo final-final sobre a necessidade de se estabelecer mecanismos de monitoramento, mas daí seria necessário arbitrar qual o intervalo entre uma checagem e outra e... bom, melhor parar por aqui antes que alguém de fato compre a idéia (vai que algum pós-graduando sem tema definido está lendo este blog...).

Papa Tine

wir sprechen nicht gut Deutsch



Leia em voz alta, rapidamente, vocalizando os erres de forma seca e gutural e com aquela entonação de adestrador de cães ensinando pit-bull a correr atrás do bandido:

"As aftas ardem e as hemorróidas idem."

Pronto, agora vc já fala alemão tão bem quanto eu. Deixe cinco mangos na caixinha, vá gastar seu alemão avançado nos posts do SSoB e auf Wiedersehen!

o meu, o seu, o nosso e o deles

Campanha cívica por um Brasil melhor recebe a adesão d'O BARNABÉ:

SP, um tiquinho menos violento

O picolé-de-chuchu tá se capitalizando para 2006:

Número de homicídios cai 29% no Estado de São Paulo

São Paulo - O número de homicídios no Estado de São Paulo caiu 29%, entre 1999 e 2004, mostra um levantamento apresentado pela Fundação Seade e divulgado nesta quinta-feira pelo governador Geraldo Alckmin. A cidade de São Paulo apresentou queda de 40,6%. Já a Baixada Santista, obteve baixa de 49,3%.
De acordo com o levantamento, dos 645 municípios do Estado, 58% não registraram nenhum homicídio. O bairro do Jardim Ângela, na capital, teve uma queda considerável de 73,3% na comparação entre janeiro e junho de 2005 com o mesmo período do ano de 2001.

das coisas públicas e privadas

Procon faz blitz em motéis no DF

Cerca de 20 fiscais do Procon-DF e da Vigilância Sanitária fiscalizaram os motéis do Distrito Federal durante toda esta quinta-feira. As blitze têm o objetivo de coibir irregularidades nos quartos, na área de limpeza e higienização de banheiros e cozinhas e verificar a organização do local.
[...]

Via CorreioWeb.

- Não se incomodem com nossa presença, a gente só veio checar se o funcionamento da cama vibratória está de acordo com as normas da ABNT. Deixa ver... hhhmmm... isso é altamente irregular, teremos que lacrar todo o recinto. Ô Juarez, recolhe essa peituda aqui ao almoxarifado que a gente vai precisar de testemunhas! Não, o senhor fique tranqüilo aí que tem uns jornalistas chegando pra cobrir nossa operação, sabe como é, o cobertor anda curto e a gente precisa mostrar o trabalho lá da repartição pra garantir o nosso... Eles só vão querer um depoimento rápido e talvez umas fotos, mas pode deixar que a gente providencia uma toalha para o senhor não aparecer assim, com esse bilau pequeno de fora.

9.6.05

jornalismo investigativo compulsório

Até onde sabemos, quem tem a OBRIGAÇÃO de investigar atos de corrupção é a polícia. Daí, em seguida, o Judiciário julga, com base nos indícios/provas que a polícia tenha encontrado (ou não encontrado). Em casos excepcionais, a Constituição prevê que a investigação seja conduzida pelo Legislativo - são as CPI's. Mas em nenhum artigo conhecido de nossa legislação é atribuída à IMPRENSA a OBRIGAÇÃO de investigar e, muito menos, de julgar.

Os meios de comunicação são como qualquer empresa: vendem seu peixe e querem lucro. Vez por outra, os meios de comunicação publicam "reportagens-bomba" - tipo denúncias contra altos barnabés dentro do governo - que aumentam suas vendas. Fazem isso apenas pq vende e dá dinheiro. Se ninguém fosse se interessar pelo mensalão, a Folha não teria ocupado espaço precioso de suas páginas com aquela entrevista com o "parceiro" Roberto Jefferson.

Ocorre que essas "reportagens-bomba" fazem bem não só ao próprio veículo, que vende mais, mas tb ao povaréu, que tem a chance de (numa dimensão paralela onde polícia, Judiciário e Legislativo cumprissem de fato seus respectivos papéis), sabedor das maracutaias, estancar a sangria das tetas públicas. Mas isso é apenas um subproduto, uma externalidade positiva da denúncia publicada pela imprensa. O resultado principal - e que move os editoralistas - é o aumento das vendas e o benefício dos próprios donos do jornal. Se a sociedade tb se beneficiou com isso, tanto melhor.

Mas alguns entendem que a imprensa deveria ser coagida a atuar não apenas em seu próprio interesse, mas tb no interesse "da sociedade", mesmo quando ela não quiser fazê-lo - por exemplo, sendo obrigada a revelar suas fontes (cujo sigilo é garantido legalmente em qq país sério) para que novas investigações possam surgir a partir daquelas que já foram publicadas. Ora, isso é forçar um agente privado a atuar como "poder público", é impor-lhe responsabilidades que não lhe competem. É subverter o papel do Estado e da iniciativa privada, com a única conseqüência possível de que, com o sigilo das fontes não mais garantido, novas denúncias serão menos prováveis no futuro. Mas é o Bananão, tá bom, a gente sabe que aqui a lei da gravidade nem sempre prevalece. O que realmente não dá pra entender é quando esse tipo de proposta sai dos próprios jornalistas! Take a look:

MÍDIA E GOVERNO ENTALADOS
Ninguém quer descobrir quem fez o "Vídeo da Propina"

Alberto Dines

A mídia só pensa naquilo - a CPI dos Correios. Corrupção é assunto quente e o impacto produzido pelo "Vídeo da Propina" não permite tergiversação. Aquela conversa tranqüila e camarada entre o corrupto e o corruptor jamais poderia ser reproduzida com tamanha força mesmo que fosse ensaiada, retocada, desenhada ou recriada em computador. Aquela happy hour descompromissada e distendida (faltou o uisquinho e uns salgadinhos) é um flagrante inédito, impressionante e definitivo da vexatória e fraterna convivência entre a máquina corruptora e a máquina corrompida depois do expediente.

O "Vídeo da Propina" ganharia fácil um Oscar ou a Palma de Ouro de Denúncia se tal categoria existisse num festival de cinema ou TV. No entanto, nem a mídia (que o divulgou) nem o governo (do qual é vitima) perceberam que o "Vídeo da Propina" é muito mais do que o ponto de partida para o desvendamento de um tenebroso episódio da nossa vida política. Poderia ser, além disso, o meio através do qual as primeiras investigações pudessem ganhar tal velocidade que tornaria secundária a CPI.

Para isso bastaria que tanto a imprensa como o governo dessem mais atenção ao vídeo e às perguntas básicas nele entrelaçadas:Quem eram os empresários que armaram o impecável flagrante? De que maneira aquela esplêndida peça videográfica foi parar na redação do mais importante semanário brasileiro?

A próxima atração

O governo não se mexeu nesta direção por puro pudor - desconhecia e, por isso, temia a extensão do pantanal nos porões dos Correios. Preferiu concentrar-se durante as primeiras semanas no esforço para impedir a CPI. A mídia não se mexeu igualmente por pudor - não lhe interessava (como instituição) desvendar suas intimidades à sociedade nem expor os canais de comunicação estabelecidos nos últimos anos entre os interesses contrariados e o chamado "jornalismo investigativo". Nenhum dos grandes veículos - nem as entidades que os congregam - estão dispostos a condenar a espúria conexão e este tipo de jornalismo a serviço da corrupção simplesmente porque estão à espera de que, numa próxima oportunidade, sejam eles os beneficiados. E na expectativa do próximo prêmio, nossa mídia desenvolveu uma moralidade às avessas na qual as únicas infrações denunciadas são aquelas cometidas por infratores mal-sucedidos. As bem-sucedidas jamais serão conhecidas e a mídia raramente anima-se a investigá-las.

Quando a imprensa e seus procedimentos forem efetivamente assuntos da imprensa, quando os holofotes da mídia puderem dirigir-se à própria mídia, então teremos uma sociedade provida de instrumentos capazes de saneá-la.

Enquanto isso não se dá, aguardemos o próximo vídeo. Uma coisa é certa - será de grande qualidade.

nas redondezas de Brasília...

Bispo curandeiro passa a vara nas beatas:

Preso bispo acusado de abusar de fiéis

Um bispo de 34 anos é acusado de abusar sexualmente de cinco mulheres na área rural do Gama, no Distrito Federal.

[...]

As mulheres contaram que o bispo prometia a cura de doenças, de alcoolismo, de drogas e até mesmo soluções para o fim do casamento em troca de relações sexuais, orais e anais. Ambas acreditaram na promessa do bispo e tiveram relações com ele, observou a delegada.

Vargas acrescenta que as vítimas iam para as orações de sexta-feira, à meia-noite, para serem curadas. Durante a reza elas eram separadas dos maridos, namorados, acompanhantes e das outras pessoas para um local escuro e separado, na área rural. Nesse local, as vítimas eram obrigadas a manter a relação sexual, explicou.

Outras dez mulheres, também freqüentadores da igreja, prestaram depoimentos na delegacia e confirmaram que algumas fiéis eram separadas do grupo durante a reza. Ouvíamos gritos, mas não sabíamos o que estava acontecendo nesse local. Achávamos que era o processo de cura, disse uma testemunha que não quis se identificar.

O religioso vai responder por crime de posse sexual e a atentado violento ao pudor mediante a fraude, pois não houve violência sexual e nem grave ameaça. Se condenado, poderá pegar de um a três anos por cada crime.


Uma coisa é se o pastor-comedor forçava as incautas à felação. Se for assim, cadeia nele - se possível com um companheiro de cela bem-dotado. Outra coisa, porém, é se as moças ajoelhavam no milho por acreditar nas promessas do distinto clérigo. "Posse sexual e atentado violento ao pudor mediante fraude"??? Ah, fala sério!

Via CorreioWeb

PT na defensiva (2)

Recebi outro texto (supostamente de um tal Valter Pomar, que seria "terceiro vice-presidente nacional do PT" - pq raios um partido ou qq outra organização precisa de três vice-presidentes??? isso aí é um cabidão de empregos, não é um partido político!) defendendo o PT das atuais acusações. Bom, pelo menos no começo o texto parece uma defesa do PT, mas depois o escrevente começa a desancar outros petistas e, no final, vc já não sabe mais se o propósito do texto era mesmo a defesa ou o ataque. É, portanto, mais uma prova de que o PT prescinde de quaisquer atores externos - a "direita", os neoliberais, o FMI, o Bush, etc - para se afundar. Lendo alguns trechos, vc tem a impressão de estar em 1964. Fica claro que uma parte do PT não tem a menor noção da realidade, os caras vivem num mundo de fantasia e paranóia. Dá só uma olhada:

"[...] em 2006 haverá eleições no México, na Colômbia, no Chile, no Peru e na Bolívia. Em todos estes países, os Estados Unidos trabalham em favor de candidaturas alinhadas com sua estratégia. Portanto, para além das questões nacionais, a eleição brasileira integra um quadro mais amplo, que já está sofrendo a interferência do governo norte-americano." É a Tia Chomsky!

"[...] o governo e o PT têm todos os motivos do mundo para 'temer' a atual maioria do Congresso Nacional. Esta maioria está a serviço de nos derrotar e utilizará, neste sentido, todas as oportunidades que tiver. E não há tradição alguma que justifique facilitar a vida dos nossos inimigos." Basta uma rápida olhada na compilação que o SSoB postou há alguns dias para ver que maioria, se há, certamente não é formada pelos partidos de oposição. Mas isso é o de menos: o grave é chamar a oposição de "inimigos" - trai uma visão maniqueísta do mundo, como se eles (os esquerdizóides) fossem o exército do Bem em pleno combate contra o capeta neoliberal.

"[...] colocar a corrupção no centro do debate político nacional ajuda a direita, não ajuda a esquerda. Não é preciso lembrar de 1954, nem de 1964, em que a UDN usou e abusou da corrupção como cortina de fumaça para atacar as posições nacionalistas, progressistas ou de esquerda. Lembremos de Collor, que foi apresentado como o caçador de Marajás. E lembremos do Fora Collor (apoiado por Maluf, Quércia e outras personalidades de mesmo quilate), que mobilizou a sociedade pela ética na política, após o que tivemos a eleição de FHC e oito anos de neoliberalismo." Ou seja, a corrupção é um detalhe e, desde que o governo seja da "esquerda democrática e popular", quaisquer denúncias de ilegalidade constituem "golpismo" da "direita conservadora e autoritária". Então tá.

"[...] com o neoliberalismo, houve um crescimento da corrupção." Claro. Como disse o SSoB, só tivemos corrupção no IRB e nos Correios pq ambas as instituições foram privatizadas pelos prepostos do capeta neoliberal que comandaram o país entre 1990 e 2002. Tanto que agora botaram o Lisboa no IRB pra reestatizar o órgão. Eu é que não vou discordar...

"[...] o grande escândalo de corrupção a ser investigado não está no âmbito dos Correios, mas sim no âmbito do Copom, onde a elevação da taxa Selic gera lucros bilionários." Logo, a corrupção é um problema secundário - tudo bem se o Maurício Maurinho levar um "por fora" desde que a política econômica seja "democrática, popular e progressista!".

"[...] José Dirceu, que açoitado pela direita, parece querer descontar na esquerda petista." Aí o leitor já não sabe mais se o cara quer salvar o partido ou jogar mais um pouquinho de lama nele.

E viva o Severino!

pq não acredito em astrologia

Entrei no Orkut agora há pouco e deparei com isso na minha página:

"Sorte de hoje: Seus princípios valem mais para você do que dinheiro ou sucesso."

Há dois dias recusei um "upgrade" aqui na repartição: eu viraria "chefe", ganharia uns trocados a mais no fim do mês, teria uma mesa beeem grande (pra poder ver minhas muié pelada no computador com bastante conforto - não é isso que os chefes fazem, afinal de contas??), ia cuidar de um monte de coisa importante (que não podem ser reveladas sob pena de desmascarar meu alter ego) e viajaria pra Paris quase todo mês. Mamãe ia ficar orgulhosa e de repente eu até pegaria umas mocréias jogando esse papo furado. Mas troquei tudo por uma oportunidade surgida em outra área, da qual realmente gosto - e na qual vou levar séculos para ao menos sonhar em virar "chefe" um dia, vou continuar com a mesa pequenininha e minhas viagens se resumirão ao itinerário casa-Esplanada-casa. Donde concluo que os astrólogos do Orkut são, muito provavelmente, os mesmos que previram a eleição do Serra em 2002 ou que o PT faria um governo honesto e eficiente. Se a coisa fosse pra valer deveria estar escrito:

"Sorte de hoje: Vai ser burro assim lá na casa do caralho!!"

8.6.05

os pobres e o Minhocão

O pobrêma do "rôba mais num faiz". By Filthy McNasty.

Vc sabe que é alguém pouco sociável qdo...

...entra no Orkut, fica lendo os scrapbooks (ops, agora é "página de recados") dos outros e não consegue entender o que leva um ser humano a deixar scraps (ou "recados") do tipo "Uuuhuu! Muito doida a baladinha ontem, só zuêêêra, falowww! kkkkkkk!!". Por mais que tentemos reprimir nossos preconceitos com pensamentos do tipo "ok, deve ser uma anta, mas vai ver é boa pessoa/simpático(a)/alegre/ajuda os outros, etc", não dá pra acreditar que pertencemos à mesma espécie. É inevitável pensar que se trata de uma ameba que, por acidente (lixo atômico, chuva ácida, sei lá), tornou-se pluricelular e adquiriu as habilidades da fala e (com muita boa vontade) da escrita. Pior é qdo vc vê essas coisas entre os scraps da sua ex-namorada - dá vontade de telefonar e xingar: "porra, vc reclamava que eu só te deixava scraps monossilábicos e agora fica dando mole pra esse neanderthal/ogro/amebóide, incapaz de redigir uma frase com sujeito e predicado!!!???". Só não faço isso pra não correr o risco de ouvir "mas pelo menos ele não deixa de sair comigo pra ficar escrevendo naquela porcaria de blog maldito que nem sua mãe lê!!". Melhor deixar como está.

despachando o Samuel

Se o PT apear do governo em 2007, talvez já tenhamos, até lá, um novo posto para o Secretário-Geral do Itamaraty e suas idéias comunas.

PT na defensiva

Seguem trechos de uma apresentação em PowerPoint que tem circulado aqui na Barnabelândia, contendo uma espécie de "defesa" do PT contra a lama em que o partido está chafurdando:



Como assim os ataques "da oposição"? As denúncias não partiram do "companheiro" (assim definido por Çua Esselensa) ROUBerto Jefferson, que é (ou era...) da base (supostamente, pelo menos) aliada? Onde entra a oposição nessa história? Assim sendo, é no mínimo curioso que eles conclamem uma "ofensiva [...] dos partidos aliados" contra os supostos ataques...



Não contente em alegar que a oposição está por trás dos "ataques" (nota semântica: "denúncia" é o q vc faz contra o governo dos outros; "ataque" é o que os outros fazem contra o seu governo), os caras ainda acreditam que há uma "estratégia" (golpista, no imaginário deles) por trás de tudo. É o refinamento da paranóia: existem alienígenas, o governo americano os esconde, eles estão na Área 51, Bush é um ET disfarçado com a missão de destruir a Terra, etc...



"Firme e forte" igual prego na areia... E os caras continuam na lenga-lenga de que há golpismo por parte da oposição - esta, coitada, jamais viu seu papel tão esvaziado na história política do Bananão...



Como assim "A oposição mira nos aliados"? Os aliados é que miram na situação, ao que vemos. O fazem, claro, pq estão insatisfeitos com a (já considerável) boquinha que têm recebido. O PT não tem o traquejo pra lidar com a escória parlamentar que tinha, por exemplo, FHC. Os "aliados" percebem isso e vão ocupando todos os espaços que conseguem. Daí, quando são contrariados...

Por fim, não custa lembrar que, historicamente, quando o governante (ou seus acólitos) começa a falar em "tentativas de desestabilização", o que costuma vir em seguida é um auto-golpe justificado como uma tentativa de neutralizar as "forças golpistas"... Alguém aqui acredita de verdade nas convicções democráticas de Çua Esselensa?

7.6.05

seres abjetos e subdesenvolvimento

Aposto déiz reau que há uma correlação negativa entre a porcentagem dos seres abaixo numa dada população e o PIB per capita desta última:

- gente que conversa no cinema;
- gente que não respeita os horários agendados na lavanderia coletiva do prédio;
- gente que não devolve troco de R$ 0,01 ou mesmo - pasmem - de R$ 0,05;
- gente que não respeita o horário de silêncio legalmente estabelecido;
- gente encontra amigos numa fila e aproveita para furá-la;
- gente que fecha o seu carro no estacionamento e acha que tá tudo bem só pq deixou o freio-de-mão solto;
- gente que vai a boate, é avisado na portaria de que haverá cobrança de consumação mínima, entra mesmo assim e, no fim da festa, recusa-se a pagar e fica arrumando confusão com os seguranças e com o gerente, atrasando a fila da saída; e
- gente que joga lixo na rua.

Deixei alguém de fora? Sugestões?

6.6.05

subscrevo integralmente

Esse post aqui resume tudo o que eu poderia ter a dizer sobre o financiamento público de produções artísticas.

leitores comunas de um blog liberal

Nós somos um país de comunas. Nas mais diversas gradações e às vezes mesmo de forma inconsciente, não importa: o brasileiro é, antes de tudo, um comunão. Senão, como explicar que, dos 30 últimos termos procurados no Google que acabaram trazendo gente pra cá, nada menos de 14 sejam variações da expressão "socialismo real" ("o socialismo real", "tudo sobre o socialismo real", "o que é o socialismo real", etc.)? Bom, se este blog conseguir fazer um único desses comunas perdidos refletir sobre suas convicções (ou sobre o sentido da vida), minha existência já terá tido algum sentido. Mas acho pouco provável.

sim, há esperança

Vc sabe que está lendo os blogs certos qdo, face a indícios de desenfreada corrupção, os autores (dos blogs - não da corrupção), mesmo já tendo pertencido a/simpatizado com o partido in charge, não vêem conspirações da elite por trás das denúncias e não caem na imoralidade do "ah, mas todo governo é assim!".

mitos & lendas da 4ª série

Durante a pirralhice, nossas professorinhas nos ensinam que os índios, tadinhos, já estavam aqui antes dos portugueses e que, portanto, esta terra abençoada que "em se plantando, tudo dá" é deles. Eles viviam aqui, felizes, em plena harmonia com araras, onças e tatus até que o homem branco - esse bicho ruim - tomou-lhes o chão em que habitavam. Justo deles, pobrezinhos, que de tão santos nem conheciam o conceito de "propriedade privada" e nem se achavam donos da terra, apenas estavam aqui e iam tocando sua vidinha, sem prejudicar ninguém! E justo esse povo bonzinho foi seduzido por espelhos e quinquilharias, enganado e depois escravizado pelos pérfidos europeus com suas concepções materialistas de felicidade! Oh, céus, o mínimo que podemos fazer para nos retratar é demarcar-lhes suas reservas, deixar-lhes como prêmio de consolação (mais de nossas consciências do que deles próprios) um naco da terra que selvagemente lhes foi arrancada!

E de fato seguimos acreditando nisso vida afora, até que um dia alguém te coloca a incômoda questão: se pudesse voltar no tempo e alterar a História, vc impediria os europeus de, digamos, "descobrir" a América? Uma coisa é lamentar sobre um fato acontecido. Outra - bem diferente e que testa suas convicções - é se perguntar (com honestidade, não custa lembrar) o quê vc teria feito se lhe coubesse escolher.

Bom, não sei quanto a vc, mas eu não tenho a menor dúvida de que estou muito melhor aqui - como ser humano civilizado (e certamente virão os adeptos do relativismo cultural amaldiçoar meu uso da palavra "civilizado"), vivendo de comida congelada e biscoitos, tendo TV e chuveiro com água quente em casa - do que estaria num universo paralelo onde a América tivesse permanecido indígena e, pior, comigo dentro dela, sem saber das maravilhas existentes no além-mar. Como brasileiro, há toda a probabilidade de eu ter sangue índio nas veias e se eu viajasse no tempo e assistisse meu ancestral aborígene sendo capturado e escravizado pelos portugas, eu diria pra ele não se amofinar demais com aquilo, que no final seria para o bem de seus descendentes.

Há, claro, os malucos que prefeririam ter permanecido em condição silvícola. Mas são bizarrices e a prova de que nosso sistema - i.e., a democracia (imperfeita) de mercado (mais imperfeito ainda) - é MELHOR (pra provocar os antropólogos) que o deles é que vc não vê migrações em massa dos grandes centros urbanos para as reservas indígenas. Quem afirma que os tapuias eram mais felizes, viviam melhor, etc deveria renunciar à vida urbana e ir caçar tatu na Amazônia, ora pois! Se estamos aqui é pq reconhecemos que nosso sistema é melhor e, sendo assim, cumpre nos perguntar: pra quê diabos existem essas reservas indígenas? Juntas elas representam 11% do território nacional (e acho que nesse cálculo nem está incluída a Raposa do Sol, que por si só já é um país). Boa parte dos índios que nelas vivem já deixaram de praticar, há muito, diversos de seus hábitos centrais - hoje dirigem automóveis, caçam com GPS e tomam aspirina contra a dor-de-cabeça. Ou seja, eles tb vêem nosso sistema como melhor do que o deles. Mas o capitalismo tem ônus e bônus: vc precisa fornecer algo que os outros queiram para ter aquilo que vc quer. Ao passo que nossos índios gozam das benesses do capitalismo - remédios e roupas por conta da FUNAI, por exemplo - sem nada nos fornecerem em troca (e ainda são mal-agradecidos). Eles têm, assim, o melhor de ambos os mundos: o conforto do ocidental e a indolência do aborígene. Damos a eles terras e recursos, justificando para nós mesmos que é uma compensação pela expropriação que lhes foi infligida no passado. Mas lá se vão cinco séculos! Está na hora de dizer "ei, meu filho, acabou a mamata, vc escolhe se quer ficar com a terra e viver nela como à época de seus ancestrais - o que implica estar sujeito à chuva, à pouca diversidade nutricional e à morte certa em caso de pneumonia - ou se integrar ao mundo contemporâneo". Aposto que nove entre dez peles-vermelhas vão ficar com a segunda opção - "vou pra cidade, mim não poder viver sem assistir Seinfeld!".

5.6.05

comentários irados!

Nas caixas de comentário deste e deste post O BARNABÉ recebeu, pela primeira vez após meses de blogagem, alguns xingamentos. Sinal de que finalmente devo estar fazendo algo certo. Com um pouco de sorte ainda receberei um hate mail dia desses.

3.6.05

teorias conspiratórias tupiniquins

Uma das teorias conspiratórias mais renitentes no Brasil é a de que existiria uma associação pecaminosa entre a elite e a grande mídia (leia-se Jornal Nacional e Revista Veja) para perpetuar o subdesenvolvimento. A mídia se encarregaria de esconder a Verdade (ou seja, a crença marxista de que se há pobres e ricos é pq estes exploram aqueles) e, em troca, receberia sabe-se lá que tipo de favores da "burguesia" (via de regra os que sustentam tais teses ainda acreditam que o mundo se divide em classes ontologicamente distintas), numa espécie de relação simbiótica. Mais ou menos assim: a Veja, com suas matérias sobre a importância da responsabilidade fiscal, da reforma da Previdência, etc., estaria fazendo povão acreditar nessas "mentiras" todas para ele não perceber que, "na realidade", o problema do país é que os ricos são ricos pq tiram dos pobres (sim, esse povo realmente acredita que existe "o" problema do Brasil, i.e., que nossas mazelas têm todas uma explicação unicausal, simples e direta). Daí o povo - esse ingênuo - acaba acreditando nessas bobagens de que inflação é ruim, abertura comercial é boa, etc., e termina por votar em prepostos da elite, os quais vão tratar de reproduzir as relações de dominação existentes.

Ora, os editorialistas da Veja - como quase todos nós - têm suas crenças a respeito de quais políticas econômicas melhor servem ao propósito do desenvolvimento. Eles tentam, sim, influenciar o quê os leitores pensam e, inclusive, fazem matérias bem "oportunas" em tempos eleitorais de modo a angariar votos para os candidatos que consideram mais razoáveis. E daí? Não fazemos isso tb, nós blogueiros? Só pq mais gente lê a Veja do que nossos blogs isso não tira a legitimidade de aquela revista publicar o que bem entender em suas páginas. A Veja é, em muitos casos, superficial e reducionista, mas esse talvez seja um custo inevitável de se tentar informar o regular Joe sobre assuntos que, normalmente, ele desconhece por completo. De outra forma não seria um semanário informativo, mas um periódico acadêmico. O jornalismo da Veja certamente não é imparcial, assim como não é nenhum outro. Ocorre que a Veja é imparcial para o lado que seus críticos consideram "errado", pois ela vai contra o pensamento nacional-estatizante-inflacionista-protecionista-marxista de que comunga a quase totalidade da burritsia brasileira. Ou alguém aqui terá coragem de defender que a Caros Amigos é menos superficial ou mais imparcial? A Caros Amigos só não recebe as críticas que a Veja recebe pq usa seu superficialismo e parcialidade para o lado visto como "certo". E tb pq vende pouco e no Brasil nós costumamos ficar com peninha dos fracassados (se vende muito e dá dinheiro, só pode ser do Mal).

Daí que da próxima vez - prezado leitor, estimada leitora - que algum distinto integrante da burritsia nacional fizer um um muxoxo e adotar um ar de superioridade ao te flagrar lendo a Veja, diga a ele que vc tb compra a Caros Amigos e que, na sua casa, ela presta relevante papel a vc e a toda a sua família nos seus momentos de reflexão mais íntima.

aprenda inglês vendo muié gostosa na TV

Não fosse o concurso de Miss Universo deste ano, quantos de nós saberiam que "Latvia" é Letônia?

democracia em Pindorama

Çua Esselensia, demonstrando não ter muita noção do que sejam os conceitos de democracia e propriedade privada. Será que ao avistar uma bela moça não lhe passa pela cabeça algo do tipo "Zé Dirceu, manda buscar aquela peituda ali que eu quero ter um despacho com ela lá no meu gabinete"? Entre uma coisa e outra o caminho é curto. E ainda há os que pretendem reeleger o botocudo ano que vem... Perdoai-lhes, Senhor, pq não sabem o que fazem!

"FOLHA DE S. PAULO - OPINIÃO - EDITORIAIS

São Paulo, sexta-feira, 03 de junho de 2005

'MANDA FAZER'
Em mais um de seus famigerados improvisos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do Salão do Turismo, que tem lugar na cidade de São Paulo, revelou um entendimento um tanto questionável de como devem ser as relações do governo federal com os veículos de comunicação, em especial as redes nacionais de televisão.
Demonstrando seu entusiasmo com o potencial turístico do país -de fato ainda muito pouco explorado-, o primeiro mandatário imaginou que seria útil para o desenvolvimento do setor se a TV dedicasse mais tempo às belas paisagens existentes em território nacional.
Empolgado com a estratégia, Lula sugeriu ao ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, presente na solenidade, "mandar fazer um "Globo Repórter" sobre os lugares bonitos do Brasil" para ser exibido no exterior. O presidente não se limitou à idéia de pautar aquele programa da Rede Globo. Também instou o ministro a buscar espaço no "Domingão do Faustão", da mesma Globo, e no "Hebe", do SBT.
"Você tem de ligar para uma Hebe Camargo e falar: "Hebe, eu quero que você me dê aí meia hora, que eu quero falar para o seu público sobre turismo"", afirmou Lula. E, disse a seguir ao ministro: "Você pode falar com o Faustão: "Faustão, me dá aí uns cinco minutos para falar de turismo no Brasil, mostrar as coisas bonitas que temos"".
O fato de que as redes de TV sejam fruto de concessões públicas não autoriza o presidente a tratá-las como extensão do governo, que poderia, sem maiores embaraços, "mandar fazer" um programa ou pedir "meia hora" para divulgar o que considera ser de interesse do país.
Ainda que se possa entender o tom coloquial adotado no discurso como característico de um improviso, a visão subjacente às instruções dadas por Lula ao ministro do Turismo tem algo de reveladora e inquietante."

2.6.05