das vantagens comparativas
Eu nunca entendi qual o problema das pessoas com o turismo sexual. O gringo vem, gasta com hotel, táxi, restaurante, picolé e passeio de bondinho no Pão-de-Açúcar. Com isso, injeta divisas na economia nacional e emprega uma porção de gente. À noite, sai em busca de sexo. Como desconhece o vernáculo e não tem amizades entre os gentios, recorre à linguagem universal do dólar para dar uma bimbada. Mais uma despesa pra ele, mais divisas circulando na economia bananal e mais nativos making a living. Agora, finalmente, dois antropólogos da UFRJ mataram a charada: o problema dos brasileiros com esses grigos bimbadores é nossa mentalidade silvícola, que repudia a idéia de um bando de caras-pálidas virem aqui encaçapar "nossas" mulheres.
Se superássemos essa atitude subdesenvolvida, o bordão "Brasil, celeiro do mundo" poderia ser atualizado para "Brasil, bordel do mundo" e o país poderia aproveitar adequadamente o potencial oferecido por sua dotação de recursos. Assim como o Sebrae/Sesc/Senai ensina os jovens a operar computador, fazer pão e consertar rádio de pilha, o governo deveria oferecer às profissionais do séquiço cursos de idiomas e noções sobre taxas de câmbio. Após alguns anos, teríamos um exército de milhões de jovens devidamente qualificadas para a prestação de serviços sexuais, atraindo gringos do mundo todo e contribuindo para o espetáculo do crescimento.
Mas seria esperar demais da população bananal, que ao invés de atrair divisas prefere gastar as que tem com experiências nacionalóides como a do jecanauta.

