o dinheiro público, esse sem-dono (4)
Jornalista bananal quer salvar a Varig com o argumento de que ela é "uma extensão do Brasil". Vale a pena transcrever esses dois parágrafos:
"Só quem já viveu fora do país pode ter idéia de como seus escritórios no exterior - chegaram a ser 111 nos anos 70 do século passado - eram os salvadores da Pátria na hora em que batia a saudade de notícias do Brasil.
Ali a gente sempre encontrava não só jornais e revistas, mas também amigos para espantar o banzo, e um alegre burburinho que nos fazia lembrar um boteco nativo. Em viagens a passeio para o exterior, a gente tinha duas alegrias: uma, logo ao embarcar, quando o serviço de bordo já era prenúncio de festa que nos fazia pensar em algum fino restaurante francês; outra, na hora de voltar, pois só de entrar num avião da Varig a gente já se sentia de novo no Brasil."
Eu acho lindo/romântico/poético/sensível que as pessoas queiram salvar a Varig. O problema é que esses heróis salvacionistas insistem em fazer isso com o meu dinheiro: pq não vendem tudo o que têm e doam à companhia? E o cara ainda faz referência aos prazeres das viagens internacionais como justificativa para enterrar dinheiro na empresa. Então você tunga toda a sociedade - incluindo os que mal conseguem pagar sua passagem de pau-de-arara SP-Ceará - para que o pessoal do andar de cima possa se refestelar no "alegre burburinho" dos balcões da Varig no estrangeiro. E de todo modo, ainda que a Varig despareça, a TAM e a Air France continuarão (ou mesmo ampliarão) suas rotas Brasil-França. Assim, nosso herói não será obrigado a permanecer em solo bananal caso sua proposta salvacionista não vingue. Se depender de alguma contribuição espontânea da minha parte, prefiro que os 12 mil funcionários da Varig morram de fome, junto com suas respectivas famílias (tá com peninha? faça alguma coisa ao invés de incitar os demais a fazerem).
E só aceitarei críticas a este post se vierem acompanhadas de extratos de depósito bancário em favor da Fundação Rubem Berta.

