O BARNABÉ

Pensamentos desordenados sobre a estupidez humana (inclusive a do próprio autor), o Brasil, o mundo e o sentido da vida. Todos os comentários são bem-vindos, sobretudo quando o escrevente assumir suas posições sem falsa neutralidade, afirmando claramente que prefere manteiga a margarina e brindando-nos com as razões que o levam a tal ordem de preferências.

3.4.06

that's the real me



Via de regra, gosto da democracia. Principalmente porquê ela transforma o Estado num retrato mais ou menos fiel da sociedade, de maneira que os governantes tendem a replicar, em alguma medida, as virtudes e os vícios de seus eleitores. Mas e o MST? Você tem lá suas trocentas cabeças de gado, produz carne, leite, empregos e renda para a sociedade e, um belo dia, um bando de animais (intelectualmente menos desenvolvidos do que suas cabeças de gado) invade sua propriedade, ameaça sua família e destrói seu patrimônio. Você chama a polícia e descobre que, na realidade, você é que precisa provar que tem direito à sua terra (se é que ela ainda vale alguma coisa, a essa altura) e conseguir um "mandado de reintegração de posse" (essa figura jurídica bizarra existe em algum outro lugar do mundo??).

Culpar as autoridades é sempre saudável, mas é mais proveitoso questionar porquê elas não cumprem seu papel - básico - de defender a propriedade (os comunas defendem a ampliação das prerrogativas estatais mas aparentemente não se importam quando algumas delas - sobretudo as essenciais - são esquecidas). A resposta, palpito eu, está na condescendência com que a sociedade bananal enxerga tudo o que seja "movimento social": se é pobre, então é coitadinho e tem o direito de fazer arruaça. Que comandante de batalhão vai querer aparecer na mídia como o responsável pelo "massacre de Itapipoca"? Que governador de estado terá peito para ordenar a reintegração de posse e arriscar sua reeleição? A opinião pública serve, assim, como escudo entre criminosos e autoridades.

O quê fazer diante de um tal cenário? Eu, funcionário público sem propriedades rurais, limito-me a escrever este post. Mas se eu fosse fazendeiro, não tenho dúvidas: organizaria um movimento pela derrubada do governo. Uma vez no poder, colocaria o MST (e congêneres) na ilegalidade e construiria um cadeião gigante para preenchê-lo com todos os sem-terra que as forças policiais conseguissem capturar. Esquartejaria alguns, na frente de seus filhos e cônjuges. Mutilaria outros e os deixaria vivos para que vagassem entre os demais, aterrorizando-os com a perspectiva de serem os próximos. Mandaria espalhar fotos dos desgraçados país afora, para atemorizar os vagabundos que tenham escapado à caça. Por fim, após algum tempo, meteria fogo neles - todos eles. E deixaria os corpos carbonizados ali mesmo, no cadeião, pois essa escória não é digna de sepultamento. São animais e precisam morrer - de preferência, uma morte dolorosa e sofrida. Todos os sem-terra juntos valem menos do que uma única cabeça de gado. Enquanto existirem, é sinal de que os valores da sociedade brasileira continuam doentios e odiosos - sinal, portanto, de que merecemos todas as mazelas que nos afligem.

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